Não me venhas falar de amor.
Não venhas dizer que esperaste por mim e que não conseguiste alcançar-me.
Não foste tu que sofreste.
Não foste tu que bateste no fundo. Que te sentiste esquecido. Que te sentiste abandonado.
Tu não sabes nada sobre o amor. Nada.
Não sabes o que é amar. Não sabes o que é esperar por alguém e já não ter ninguém.
Achas que vale a pena tentar?
De tanto doer a tua ausência, um dia, já não me vais fazer falta.
E nesse dia, serei feliz.
Sem ti.
Ausente de mim.
sábado, 4 de outubro de 2014
Amor desfeito
Foram muitas coisas que aconteceram.
Foi a dor da tua ausência, e saber que poderias nunca mais regressar.
Foi eu ter abdicado de tanta coisa para te ter. Ter abdicado de tanto por tão pouco.
Gostava de voltar atrás. De te agarrar. De não te largar. Porque, desta vez, juro, não te largava. Não te deixava ir.
No meio de tudo isto, apenas uma pergunta. Porquê?
Faltam 20 dias, e não sei se te direi algo. Apetece-me correr atrás de ti. Agora. Não adiar mais. Mas sei que não me vais querer. Que vais ignorar-me como tantas vezes fizeste.
Foram tantas as palavras que ficaram por dizer. Mas aprendi algo. Aprendi a não confiar. Aprendi a não chorar. Nunca mais. És o culpado por não amar de novo.
Seria estranho se te visse agora. Mas é previsível. Estás tão perto de mim. E no entanto, tão longe.
És o motivo do meu vazio por dentro.
De não querer viver.
Porque vivia por ti. Para ti. E agora que não te tenho, vale a pena?
O tempo pára.
Voltam as memórias.
E com elas a dor.
Quero-te.
Não posso. Não estás mais em mim.
Voltam as memórias.
Os bons momentos. O teu sorriso. A minha mão na tua.
E volta a dor. A dor da tua ausência.
Passaram dois anos, e a dor permanece.
Amor desfeito.
Lágrima que deito.
Sem olhar para trás.
Foi a dor da tua ausência, e saber que poderias nunca mais regressar.
Foi eu ter abdicado de tanta coisa para te ter. Ter abdicado de tanto por tão pouco.
Gostava de voltar atrás. De te agarrar. De não te largar. Porque, desta vez, juro, não te largava. Não te deixava ir.
No meio de tudo isto, apenas uma pergunta. Porquê?
Faltam 20 dias, e não sei se te direi algo. Apetece-me correr atrás de ti. Agora. Não adiar mais. Mas sei que não me vais querer. Que vais ignorar-me como tantas vezes fizeste.
Foram tantas as palavras que ficaram por dizer. Mas aprendi algo. Aprendi a não confiar. Aprendi a não chorar. Nunca mais. És o culpado por não amar de novo.
Seria estranho se te visse agora. Mas é previsível. Estás tão perto de mim. E no entanto, tão longe.
És o motivo do meu vazio por dentro.
De não querer viver.
Porque vivia por ti. Para ti. E agora que não te tenho, vale a pena?
O tempo pára.
Voltam as memórias.
E com elas a dor.
Quero-te.
Não posso. Não estás mais em mim.
Voltam as memórias.
Os bons momentos. O teu sorriso. A minha mão na tua.
E volta a dor. A dor da tua ausência.
Passaram dois anos, e a dor permanece.
Amor desfeito.
Lágrima que deito.
Sem olhar para trás.
sábado, 20 de setembro de 2014
Carta a um amor abandonado
Amor abandonado,
Eras tu. A pessoa em quem eu podia confiar, as minhas tristezas e as minhas alegrias, as minhas comigo e as minhas contigo, sobretudo contigo.
Eras a pessoa que me iria salvar do meu abismo.
Mas, no final de contas, não eras tu. Nunca foste. E eu no fundo sabia. Sabia que não virias, nunca mais. Mas não acreditava. Era, e sou, ingénua.
"O amor acontece quando desistimos de ser perfeitos." Fui perfeita para ti? Não respondas. Se fosse, estarias comigo, aqui, agora. E não estás. A única certeza que tenho é essa. Não estás.
Abdiquei de muita coisa para estar contigo. E no fim, abdiquei de ti. Para ser feliz? Não sei o que isso é. Sem ti não sei.
Já não consigo chorar por não te ter. De alguma forma já me conformei. Que remédio, não?
Será que voltas?
Será que quando voltares eu estarei aqui? Pensas que estarei à tua espera?
Talvez esteja.
Conheces-me.
Sabes que estarei.
Mas não como dantes.
Quando voltares, não serei tua. Não da mesma maneira que fui.
Não vais ter o meu sorriso.
Não vais ter o meu abraço. Aquele que tanto querias.
Fui egoísta para te ter só para mim. E não tive.
Não esperes que esteja de braços abertos quando voltares.
Mudas-te-me. Orgulha-te ao menos disso. Mudaste tudo em mim. Já não há amor dentro de mim. a doçura que dizias eu ter no olhar, perdeu-se. Foi contigo para bem longe.
Quero ver-te sofrer.
Agarrar no coração e deitá-lo para bem longe.
Quero ver-te agoniar.
Desejar nunca ter nascido.
Porque foi assim que me deixaste quando foste embora.
Sem chão. Sem alma. Sem salvação.
De certa forma, levaste-me contigo. Mesmo sem eu querer. Mesmo sem eu saber.
Espero que sejas infeliz.
Que não encontres ninguém como me tinhas a mim. Que ninguém te faça tão feliz como eu fiz.
Espero que definhes sozinho.
Desamparado.
Sem alma, como a mim me deixaste.
P.S. Não voltes.
Eras tu. A pessoa em quem eu podia confiar, as minhas tristezas e as minhas alegrias, as minhas comigo e as minhas contigo, sobretudo contigo.
Eras a pessoa que me iria salvar do meu abismo.
Mas, no final de contas, não eras tu. Nunca foste. E eu no fundo sabia. Sabia que não virias, nunca mais. Mas não acreditava. Era, e sou, ingénua.
"O amor acontece quando desistimos de ser perfeitos." Fui perfeita para ti? Não respondas. Se fosse, estarias comigo, aqui, agora. E não estás. A única certeza que tenho é essa. Não estás.
Abdiquei de muita coisa para estar contigo. E no fim, abdiquei de ti. Para ser feliz? Não sei o que isso é. Sem ti não sei.
Já não consigo chorar por não te ter. De alguma forma já me conformei. Que remédio, não?
Será que voltas?
Será que quando voltares eu estarei aqui? Pensas que estarei à tua espera?
Talvez esteja.
Conheces-me.
Sabes que estarei.
Mas não como dantes.
Quando voltares, não serei tua. Não da mesma maneira que fui.
Não vais ter o meu sorriso.
Não vais ter o meu abraço. Aquele que tanto querias.
Fui egoísta para te ter só para mim. E não tive.
Não esperes que esteja de braços abertos quando voltares.
Mudas-te-me. Orgulha-te ao menos disso. Mudaste tudo em mim. Já não há amor dentro de mim. a doçura que dizias eu ter no olhar, perdeu-se. Foi contigo para bem longe.
Quero ver-te sofrer.
Agarrar no coração e deitá-lo para bem longe.
Quero ver-te agoniar.
Desejar nunca ter nascido.
Porque foi assim que me deixaste quando foste embora.
Sem chão. Sem alma. Sem salvação.
De certa forma, levaste-me contigo. Mesmo sem eu querer. Mesmo sem eu saber.
Espero que sejas infeliz.
Que não encontres ninguém como me tinhas a mim. Que ninguém te faça tão feliz como eu fiz.
Espero que definhes sozinho.
Desamparado.
Sem alma, como a mim me deixaste.
P.S. Não voltes.
domingo, 9 de fevereiro de 2014
Foi em Setembro que te perdi.
Já não escrevo há muito tempo. Talvez porque neste
intervalo, as palavras não fizessem sentido. Talvez porque não conseguia
escrever aquilo que sinto. Fazes-me falta, já te disse? Fazes-me tanta falta.
Encontrei em ti o meu ideal.
Encontrei em ti alguém que eu não fui, nem sou, capaz
de ser. És a minha ambição, o meu sonho tornado realidade. Mas, tu, meu pequeno
Deus de algibeira, já não queres saber. Não te guardo rancor, mas não entendo,
como é que depois de tudo, e o tudo foi pouco, não me queres ver.
Sinto-me abandonada por ti. Sinto-me esquecida. Anseio
pelo dia em que vou voltar a ver-te. Olhar para ti mesmo sem te dizer nada.
Eras o meu ideal. Tens noção disso? Não. Tu nunca
tiveste noção disso.
Eras mais do aquilo que pensavas. E por ti abdiquei
de muitas coisas. Por ti abdiquei de ser feliz. A mágoa que sinto quando penso
no que aconteceu, é mais forte do que qualquer sentimento. Apaga todos os
outros. Porque sim, a mágoa ainda cá está.
O perdão é irreversível.
Não existe perdão.
Nem eu pretendo que me compreendas.
Será que vale a pena?
Será que tu vales a pena? Pensava que sim. Que irias
ficar comigo como tens ficado. Que nos voltaríamos a ver, e tudo seria como
dantes. Mas não, agora é como se nunca tivesses existido.
Deixa-me ser egoísta. Deixa-me ter-te só para mim.
Não tenho saudades tuas.
Tenho saudades de ti. Da tua simples companhia. Do teu
riso alegre que contagiava o meu. Da tua mão sobre a minha quando querias que
te olhasse nos olhos.
Eu olhava. E via-nos aos dois.
Estou só. Porque me quiseste assim. Porque me
deixaste. Porque eras a minha companhia.
Anseio voltar a ver-te, para que me tires desta solidão,
destas cordas que prendem ao que tu não és. Não és meu.
Tenho duas almas em guerra por ti, e nenhuma vai
ganhar, porque tu não vens.
Volta. Tens alguém contigo que te dá a merecida
atenção, o merecido descanso, mas eu também preciso de ti.
Disseste que iria ter uma surpresa. Foi esta a
surpresa que me quiseste dar? Estar longe de mim?
Eu sabia que iria ser assim. Porque eu no fundo
conheço-te.
Sabia que a minha alma egoísta não me levaria a ti, e
me tiraria de ti. Mas também acreditava em algo melhor. Acreditava em ti. Confiava
em nós.
Fizeste de mim uma pessoa a quem podias contar sentimentos
e depois fugir. Mas também fizeste de mim uma pessoa melhor. Estiveste comigo
quando precisei, e mesmo quando não precisei.
Hoje acordei e não estavas a meu lado. Mas alguma vez
foste meu? Alguma vez me pertenceste por inteiro?
Hoje acordei e não estavas a meu lado. Cada vez me
convenço mais que não foste, não és real.
Cada vez me convenço mais que não voltarás a estar
comigo. Que tudo não passou de uma fantasia, tua e minha. Fizeste-me acreditar
que me irias incluir no teu mundo, que quando mais precisasse de ti, tu irias
lá estar. De braços abertos e de sorriso no rosto.
Que não irias ser todo meu.
Mas que metade de mim te iria pertencer.
Prometeste que irias lá estar. Mas alguma vez
estiveste mesmo?
Oh Deus, quem me dera voltar atrás. Voltar a
sentir-te perto de mim. Mas não. O tempo é o aqui e agora.
Não és meu.
Não foste meu.
Não serás meu.
Perdoar não é esquecer. E eu vou esquecer-te. Mas não
me peças para te perdoar. Quanto mais te escrevo, mais a dor da tua ausência se
acentua.
Fica.
Não partas agora.
Demorei tanto tempo a aprender gostar de ti. Cada dia
que passei a teu lado, foi um momento único, e só meu.
Lembras-te de mim? Certamente que não. Já passou mais
de um ano.
Fica, amor.
Era o que eu mais queria.
terça-feira, 19 de outubro de 2010
Fim
Fazes parte de mim. Estás em mim quando escrevo, quando ando por aí, estás em mim quando penso em ti. Tiraram-me de ti. Arrancaram-me de ti por pensarem que não era capaz de te fazer sonhador. Queria puder ver-te mais uma vez. Dizer-te tudo aquilo que não te consegui dizer. Talvez falasse através dos beijos. Talvez não te quisesse dizer mesmo nada. Sabes que começo a esquecer o som do teu riso? O meu coração está em silêncio desde o dia em que partiste. Que estupidez! O que é que me faz estar aqui ainda, quando o que mais quero é DESAPARECER! Volta. Fala. Discute comigo para ao menos recordar a tua vez, ainda que digas coisas que mereço ouvir. Eu sou o tempo; sou nada, o nada veloz e imóvel que molda o corpo do tempo. Deixar de ser é ainda acatar as regras implacáveis do ser. Estou esgotado de correr contra a dor, contra a memória, contra a infância, contra o amor e o ódio. Não há paz no instante, e eu vivo de instante para instante.
Tudo isto é o fim.
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Deixa...
O desejo de ser teu, o desejo de te poder sentir, de te poder tocar, é aquilo que sinto neste pequeno momento que parece uma eternidade. Mas deixa, não faças nada, não te mexas, mantém-te assim, bela para mim, deixa-me contemplar a última beleza que me apresentas. Ao teu simples olhar, ao teu simples toque, até as almas mais castas pensam na impureza. Sinto-me atraído por ti. Mas esta atracção é diferente. Leva-me a pensamentos que não quero ter, mas essencialmente a sonhos que desejo ter... Sabes, um beijo é um segredo falado sobre a boca, e eu tenho tantos segredos para te contar... Deixa-me ser teu, deixa que nos meus sonhos tu sejas a actriz principal, deixa que sejas a minha princesa e eu o teu príncipe que te vai salvar dos pesadelos. Deixa este momento durar para sempre, que o hoje não seja o amanhã, que não seja um sonho, mas se porventura for, deixa, não acordes porque eu também não o farei. Meu Deus, permite que este delicioso "acontecimento" perdure até amanhã, e depois de amanhã, e sempre até ao fim das nossas vidas...
Um único pensamento
Penso em como o mundo poderia acabar e eu estaria sempre a teu lado, penso em como te posso amar sem o saber, penso em como nós poderíamos ser felizes sem saber o que é a felicidade. Amar-te é a única palavra verdadeira que te posso dizer pois vem de dentro de mim como se a minha alma nascesse de novo. Amo-te e Amar-te-ei sempre, pois é só para isso que vivo. Um dia poderei morrer em paz, já que dentro de ti existe algo que me pertençe mas que eu te dei há muito tempo, a minha vida... És isso, és a minha vida... Por ti sofro, por ti morro, por ti vivo... Espera por mim e eu te alcançarei, tocar-te-ei com estas mãos traçadas com a tinta que corre dentro de mim. Restos de ilusão, restos de sofrimento. Olho para trás e penso como a minha vida seria sem a tua presença... Talvez fosse tudo um pesadelo, algo de certo que não queria viver. Mas agora que te encontrei, posso repousar em ti, encostar a minha alma à tua, posso-te pedir que passes o resto deste sonho comigo... e não acordemos desta ilusão que me rodeia. Deixa-me quebrar o silêncio nos momentos em que eu digo que te amo... Vamos ser um só, uma só alma, um só ser...
Sim, fazes-me falta.
Hoje, sentada no café a contar os minutos que passam, penso em ti. E é algo que me impressiona pois já não o faço há muito tempo. Mas a verdade é que sinto saudades tuas. Dos momentos que passamos juntos e com os quais eu fui feliz. É vergonhoso até pensar assim. Por tudo o que fiz. Por preferir ser egoísta ignorando que eras, realmente, importante para mim. Por pensar que o mundo girava à minha volta. Mas o meu mundo desabou quando disseste adeus. E agora, estou aqui sozinha, sem ti, agarrando-me ás memórias que ainda conservo. Tanto as boas como as más.
Já é tarde, e os minutos continuam a passar. Nada é eterno.
Anseio por quem me possa libertar desta dor, do sofrimento por ter saudades tuas. Quem me dera poder abraçar-te. Sentir-te de novo junto a mim, nunca te perder de vista. Mas eu tive a minha oportunidade, e não a agarrei.
Mas tu mudaste. E eu não o consigo fazer. Mas é preciso. É preciso esquecer que algum dia foste meu, e que não te tive por inteiro, que não te prendi e por isso é que fugiste.
Sim, fazes-me falta.
O desespero
Quero estar contigo e não posso.
Anseio ver-te mas não me deixam. Gostava de voltar atrás. Fazia as mesmas coisas, com a mesma paixão, mas dizia-te que te amava verdadeiramente. Não te disse, e é por isso que agora estou sozinha. Não, não há mais ninguém a não ser tu que me possa libertar desta dor que vivo constantemente, e que sinto por não te ter. Apetece-me abraçar-te. Talvez porque a última vez que estive contigo foi quando nos beijámos pela última vez e nem sequer disse adeus. Porque pensei que as coisas teriam solução. Estupidamente pensei isso. E tinham solução. Se eu engolisse o meu orgulho e deixasse de ser egoísta. Hoje tenho o que mereço, que é o não te ter. O estares tão perto de mim e eu não te poder ver ou sequer tocar, porque tu não deixas, foges de mim, já não confias em mim. O que posso fazer?Fazes-me falta porra! Nem irias acreditar mas estou completamente sozinha. Só me tenho a mim mesma e já nem em mim própria confio. Se ao menos pudesse voltar atrás, ou se ao menos eu pudesse pedir desculpa a todos pelo que fiz. Mas ninguém me ouve. És das poucas pessoas que se calhar fala comigo, ou falava, porque já há algum tempo que não dizes nada. Apetece-me mesmo desaparecer. Não sei mais o que me prende aqui. Talvez tu. Mas estás tão longe. E quando tenho esperanças que te possa vir a ter, tu foges outra vez. Não sei o que fazer. Os meus dias são batalhas contra o esquecimento. Quero esquecer-te e não consigo. Recordo todos os momentos com a mesma intensidade com que os vivi. Quero lembrar-me de todos para sempre. A forma como éramos um só. A forma como nos amávamos. Fala comigo. Falem comigo. Antes que perca, simplesmente, a vontade de viver.
Anseio ver-te mas não me deixam. Gostava de voltar atrás. Fazia as mesmas coisas, com a mesma paixão, mas dizia-te que te amava verdadeiramente. Não te disse, e é por isso que agora estou sozinha. Não, não há mais ninguém a não ser tu que me possa libertar desta dor que vivo constantemente, e que sinto por não te ter. Apetece-me abraçar-te. Talvez porque a última vez que estive contigo foi quando nos beijámos pela última vez e nem sequer disse adeus. Porque pensei que as coisas teriam solução. Estupidamente pensei isso. E tinham solução. Se eu engolisse o meu orgulho e deixasse de ser egoísta. Hoje tenho o que mereço, que é o não te ter. O estares tão perto de mim e eu não te poder ver ou sequer tocar, porque tu não deixas, foges de mim, já não confias em mim. O que posso fazer?
domingo, 11 de outubro de 2009
Fogo & Gelo
Sem ti eu não posso perder-me na escuridão, nem abraçar o fogo imenso que me corrompe a alma. Sem ti, eu limito-me a existir, e não a viver, limito-me a sentir o teu cheiro, ainda concentrado no meu corpo. De noite grito por não te sentir ao meu lado, as lágrimas teimam em sair por tu me teres abandonado. E eu, sozinha, deambulo pelo meu mundo que outrora te pertencia e hoje está envolvido em teias que consome o amor que tinha por ti. Lá fora, a lua abraça o céu. Os lobos dão sinal da sua presença. Mas eu não tenho medo. Apenas quero que regresses para mim, para o teu eterno descanso.
Perdida na solidão de uma delinquência quase alcançada. Chamo-me louca por ainda te ver, mas esta a que chamo louca penas guarda as memórias de um reino brilhante, que hoje esmorece e se torna escuro e frio. Mas o frio provém de ti, meu amor. Querias que me tornasse igual a ti. Que nós os dois pudessemos alcançar a tão cobiçada "eterna felicidade". Mas tu partiste sem me dizeres o teu nome, limitaste-te a sair enquanto dormia para não me acordar, ou talvez para evitar desgostos e tristezas.
Sinto-me à beira mágoa, afectada por um pesadelo-morte. Uma canção de embalar interrompida pelo passar do tempo. Um coração que cai e se estilhaça em pedaços de vidro. Uma dor dilacerante que teima em rasgar-me o peito. Um corpo de fogo que se prende ao frio do chão tocado pela neve.
Memórias
Agora no meu sonho, eu já não sou a actriz principal.
Vislumbrei a tua silhueta, e estendi-te a mão para que viesses ao meu encontro. Trazias no olhar a escuridão do desejo e da paixão, e na pele o frio de Inverno.
Sob o teu andar delicado, vieste ter comigo.
Porque é que sinto que te estou a perder cada vez que olhas para mim?
Abracei-te de saudade e eterno amor, e jurei que levaria os teus braços para me esconder neles.
"Não partas nunca mais", era o que devia ter dito. Mas não me deste o tempo que eu queria. Senti o macio tecido do teu casaco que trazias vestido. Azul do fundo do mar.
Acordei, e como sempre, passei a ser a actriz principal de um sonho que nunca aconteceu.
sábado, 29 de agosto de 2009
Os fantasmas da noite
Há pessoas estranhas durante a noite. Todo aquele secretismo que envolve-as ruas do Porto e que as mergulha numa escuridão quase desértica. Manequins aprisionadas em vidros. Para elas, a noite é igual ao dia. Olhos que vêm e não se mexem. Corpos que se descompõem. Talvez eu quisesse ser assim. E talvez, a noite não me fosse tão deliciosa e apaixonante. As luzes erguem-se ao alto, faíscas da miséria, que projectam sombras no chão imundo. O silêncio nunca mais chega e eu já me sinto a delirar. Os perigos espreitam e a noite torna-se cada vez mais aliciante.
A noite transforma-nos. Atira para a mágoa as pessoas mais sãs. Corrompe as almas mais puras fazendo delas criaturas sedentas de paixão.
Não há música porque a noite cria a sua própria sinfonia.
Continua...
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
A morta
Pássaros feridos caíram no chão, apodrecidos pelo vento que lhes rasgou as asas. Caíram com o sofrimento que tu, humano pobre e impuro, ofereceste àquela alma pura de amar e inocente da verdade que recusou a tua paixão envenenada. Quando a amada gritou, uma asa voou para longe do teu último beijo, amaldiçoado que estava pelas trevas que te cercaram; as flores secaram de tanto chorarem, e jamais se ouviu um riso como outrora. Roubaste-lhe tudo. Perfuraste lhe o ser, com palavras doces em que colocavas o teu próprio veneno, e hoje arrependes-te de teres ferido a tua princesa. Hoje o teu mundo cai na desgraça e apodreces junto da campa dela, rodeada de escuridão que o teu coração espalha.
O amante jamais saiu de perto da sua amada. Agarra-lhe a mão para que não saia de perto dele. Mas a amada, morta está. Pálido e frio, é o seu amor pelo amante, assim como pálido e frio é o corpo abandonado ao desamor vivido e à podridão que permanece debaixo de terra.
"The Dance", Within Temptation
O amante jamais saiu de perto da sua amada. Agarra-lhe a mão para que não saia de perto dele. Mas a amada, morta está. Pálido e frio, é o seu amor pelo amante, assim como pálido e frio é o corpo abandonado ao desamor vivido e à podridão que permanece debaixo de terra.
"The Dance", Within Temptation
sábado, 22 de agosto de 2009
O silêncio da noite II : ontem, hoje e amanhã
E aqui estou eu outra vez.
Desconheço quem sou e para onde vou. A escuridão total de uma noite quase cega. O vento que, de novo, brinca com os meus cabelos e os agita, numa noite quase muda. A lua, continua lá, sozinha, abraçando esse céu imenso que hoje é o meu guardião.
O que outrora fui, hoje comparo-o ás pedras que me rodeiam. Aparentemente inertes, nada têm para oferecer, seja a quem for, por isso se passa, se pisa, se ignora. O passado, está apenas lá escrito.
Mas nesta noite, em que desconheço quem sou, o passado não me atormentará.
E como noite que é, os amantes encontram-se de novo, trazendo consigo o mesmo sentimento, construído exactamente com a mesma dosagem de intensidade e veracidade. Aproximam-se e abandonam-se nesta deliciosa magia, que parecia querer rebentar com o batimento vital deste amor excessivo. Os seus olhares prendem-se formando um só. Vão falando com a voz da sua alma, ouvem, sentem o amo que lhes foi deixado.
E a música de novo, pára.
É o regressar de mais um dia; o amanhã transforma-se no hoje, e de repente tudo deixa de existir.
"Clair de Lune", Debussy
Desconheço quem sou e para onde vou. A escuridão total de uma noite quase cega. O vento que, de novo, brinca com os meus cabelos e os agita, numa noite quase muda. A lua, continua lá, sozinha, abraçando esse céu imenso que hoje é o meu guardião.
O que outrora fui, hoje comparo-o ás pedras que me rodeiam. Aparentemente inertes, nada têm para oferecer, seja a quem for, por isso se passa, se pisa, se ignora. O passado, está apenas lá escrito.
Mas nesta noite, em que desconheço quem sou, o passado não me atormentará.
E como noite que é, os amantes encontram-se de novo, trazendo consigo o mesmo sentimento, construído exactamente com a mesma dosagem de intensidade e veracidade. Aproximam-se e abandonam-se nesta deliciosa magia, que parecia querer rebentar com o batimento vital deste amor excessivo. Os seus olhares prendem-se formando um só. Vão falando com a voz da sua alma, ouvem, sentem o amo que lhes foi deixado.
E a música de novo, pára.
É o regressar de mais um dia; o amanhã transforma-se no hoje, e de repente tudo deixa de existir.
"Clair de Lune", Debussy
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