domingo, 1 de fevereiro de 2015

E a magia acontecia

O final de tarde à sombra de um candeeiro de rua, sozinho, a lançar uma luz que protege os mais audazes. Um abraço apertado, e uma mão atrevida que repousa onde não podia, mas devia. Uma carícia suave num rosto frágil, em que os olhos vêm para além de ti, e os lábios aguardam o beijo há muito anunciado. A conversa vai encurtando o espaço entre nós, que já é tão pequeno. O luar encontra-nos na noite, e alcança o teu rosto, desenhando-o sobre as minhas mãos.
Poderia ter sido no elevador.
São só três andares.
Talvez encostasse a cabeça ao teu peito, e te pedisse para me levares dali para fora. Aproveitava todos os intervalos entre nós.
São só três andares.
Mas porque é que o edifício tem cinco e não trabalhamos no último?
Às vezes o tempo pára, e eu páro com ele.
Olho para a cadeira, que um dia foi tua, e tenho saudades dos dias em que aparecias à porta com um sorriso no rosto, e o peso do mundo nos teus ombros.
Dos dias em que me pedias que te levasse um beijo, em que me admiravas, quando estava concentrada, levantava a cabeça e sorria para ti.
Lembro-me do dia em que te conheci. Trazias no rosto uma mensagem de esperança, e anunciavas que tudo iria ficar bem.
Lembro-me das conversas. Em que podia ficar a ouvir-te, sem dar pelo tempo a pensar. Em que o tempo era nosso.
E a magia acontecia.
Em que olhava para ti, e não acreditava que estavas ali, tão perto, à distância de um toque.
Foram mais os dias em que precisei de ti, do que aqueles em que te tive.
Descobri há pouco que me podias ter feito feliz, e que fizeste feliz.
Prometeste que me irias dar o mundo se fosse preciso, só para me teres contigo.
E deste. O mais engraçado é que deste.
Fui de extremos contigo. Tive o melhor dia da minha vida contigo, e tive o pior. A tua ausência, de mim. Sentir que não te tinha, mas que já te tive.
Aprendi que o pior não é ter. É já ter tido.


sábado, 27 de dezembro de 2014

Como o mar calmo depois da tempestade

Estás sozinha.
Chegas a casa, e depositas os teus restos mortais na cama. Sabe bem.
Acendes o cigarro, prometes que é o último, e começas a sentir as lágrimas a escorrer pelo teu rosto. Sentes o frio, da noite fria, na tua pele fria. Tens a janela aberta, a lua a abraçar-te, o vento na cortina, e não te importas.
Sentes a almofada molhada das lágrimas que deitas, e tens a certeza que a noite vai ser longa, que o sono não virá, e que não é um pesadelo aquilo que vives.
Relembras cada palavra, cada gesto, cada erro que deste e voltarias a dar.
Relembras cada abraço e cada beijo. Cada toque e cada sorriso que houve, e que não haverá mais. E não entendes. Não te reconheces. Não és tu.
Foste feliz, admite.
Deixa de ser orgulhosa, e admite que há alguém que gosta de ti, que cuida de ti. Admite que és humana e que erras.
Egoísta.
Complicada.
"És um teste à minha paciência."
A frase ecoa nos teus ouvidos pela noite dentro. Nunca te sentiste tão abandonada.
Tens vontade de correr atrás dele. De o insultar. Dizer-lhe "basta", que não impões a tua presença a ninguém, muito menos a ele, que não queres ser um peso para ele.
"Magoas-me, mas olhas para mim com esses olhos e pego em ti ao colo mais uma vez."
Pensas em desistir.
"Sê normal, cresce!". Tens sido anormal, não humana. Não cresces. Estás parada no tempo, a aguardar o intervalo.
Pensas em desistir outra vez. De quê, não sabes.
Já foste feliz. Mas também já chegaste a casa, e pensaste em cometer uma loucura. Em virar o mundo do avesso, o teu mundo.
Já foste infeliz, Mas os teus olhos já brilharam, e o teu coração bateu mais forte quando o abraçaste naquela tarde de inverno, e ele disse que gostava de ti.

Sim, sou eu. Sou eu a precisar de ti.
Tenho vontade de te pedir que desistas. Estou a sentir-me a mais,
Chamas de "neurose" aquilo que eu chamo de dor.
Contei-te os meus segredos, e tu, em troca, apelidaste-os de "neuroses".
Lamento que não entendas.
Arrependo-me de te ter contado a minha vida, de te ter entregue a minha vida.
Quiseste insultar os meus fantasmas, mas brincaste com o fogo e eu é que me queimei, Quiseste espantar os meus demónios e lutar comigo para que vivesse.
Não pegues em mim de novo.

Um dia dei por mim a pedir-te para não desistires de mim. Mas foram demasiadas as palavras entretanto.
Pediste-me para ter cuidado com as palavras.
Terei.
Pediste-me para ser normal.
Não sabes como me magoaste. Senti-me presa numa cela de um manicómio. Mas afinal, até dizem que o mundo precisa de loucos, Loucos uns pelos outros.

Também sei ser distante. Também aprendi a ser fria com o passado, com a "neurose" como lhe chamas.
Não repitas.
Basta dizeres, e tudo isto desaparece.
"És um teste à minha paciência". A frase de novo. Não sabes como dói.
Não temas.
Voltará a ser tudo como se nada disto tivesse acontecido.
Isto tudo seria verdade, se não fosse o facto de amanhã me abraçares de novo.
Como o mar calmo depois de uma tempestade.



sábado, 8 de novembro de 2014

Não estamos

O que é o amor?
Aquele sentimento que nos arrebata o coração.
Aquele sentimento pelo qual respiramos, pelo qual vivemos, pelo qual sofremos, e pelo qual somos capazes de matar. Reduzimo-nos à mais pura insignificância, só pelo prazer de amar. Ninguém gosta de não ser amado. Ninguém gosta de ser rejeitado.



Foi em Janeiro que te reencontrei. Trazias no rosto o frio de inverno, e no olhar, a saudade da primavera. Tocaste-me na mão. Pediste-me que te acompanhasse, e eu, inocente de cego amor, fiz o que pediste. Não te larguei mais. Juro, por amor, que não o farei.
“Salvaste-me”, foi o que te disse. E tu, mais tarde, irias fazê-lo de novo. Salvas-me constantemente.

Ensina-me o amor.
Ensina-me a dor de não amar.
Sabes? Aquela coisa que está dentro de mim e cresce por ti. Não sei como lhe chamas.
Aquele sentir-te junto a mim, sabes? Com a chuva lá fora, a escuridão à nossa volta, o teu olhar no meu, as nossas mãos unidas. Aquele aconchego da alma, sabes? A curta distância entre nós, o beijo que ficou por dar, e o abraço no fim da noite.
Amar é ter no tempo um tempo eterno. Será?
Ensina-me a amar-te.

Pedi-te para me levares daqui. Para me perder no fundo do teu olhar. Para levares os meus braços. Para me esconder em ti. E tu não o fizeste. Tinhas outros planos para essa noite. Mas ficou a memória da tua pele sobre a minha. A memória daquele beijo. E o silêncio da noite sem ti, a lua que não veio e o mundo que parou.

Hoje adormeço sozinha de novo.
Não posso mentir que as lágrimas que não vês são saudades do beijo.
Foram muitos os dias que passei ao teu lado, e foram mais ainda aqueles em que tentei compreender-te. E acho que não consigo. Ou então sou eu que não me compreendo. Se calhar é isso. Tenho a certeza que é. Porque tu estás aí, eu aqui, mas não estamos. Compreendes? Não somos plural.

Sim, penso em ti. Sempre.
Vejo-me a perder-te. A nunca mais conseguir alcançar-te. A escorregares das minhas mãos como a areia que o mar leva.
E a dor. Vejo a dor.
E a ausência. Um querer-te e não te ter. Mas pior, saber que já te tive.

Tento abafar o grito que não queres ouvir. O grito final.
Como posso magoar-te tanto?
Como podes viver comigo?
Um dia acabas por matar-me.
Mas não se antes de ti, eu o fizer primeiro.

sábado, 4 de outubro de 2014

Não sabes de nada

Não me venhas falar de amor.
Não venhas dizer que esperaste por mim e que não conseguiste alcançar-me.
Não foste tu que sofreste.
Não foste tu que bateste no fundo. Que te sentiste esquecido. Que te sentiste abandonado.
Tu não sabes nada sobre o amor. Nada.
Não sabes o que é amar. Não sabes o que é esperar por alguém e já não ter ninguém.
Achas que vale a pena tentar?


De tanto doer a tua ausência, um dia, já não me vais fazer falta.
E nesse dia, serei feliz.
Sem ti.
Ausente de mim.

Amor desfeito

Foram muitas coisas que aconteceram.
Foi a dor da tua ausência, e saber que poderias nunca mais regressar.
Foi eu ter abdicado de tanta coisa para te ter. Ter abdicado de tanto por tão pouco.
Gostava de voltar atrás. De te agarrar. De não te largar. Porque, desta vez, juro, não te largava. Não te deixava ir.
No meio de tudo isto, apenas uma pergunta. Porquê?
Faltam 20 dias, e não sei se te direi algo. Apetece-me correr atrás de ti. Agora. Não adiar mais. Mas sei que não me vais querer. Que vais ignorar-me como tantas vezes fizeste.
Foram tantas as palavras que ficaram por dizer. Mas aprendi algo. Aprendi a não confiar. Aprendi a não chorar. Nunca mais. És o culpado por não amar de novo.
Seria estranho se te visse agora. Mas é previsível. Estás tão perto de mim. E no entanto, tão longe.
És o motivo do meu vazio por dentro.
De não querer viver.
Porque vivia por ti. Para ti. E agora que não te tenho, vale a pena?



O tempo pára.
Voltam as memórias.
E com elas a dor.
Quero-te.
Não posso. Não estás mais em mim.
Voltam as memórias.
Os bons momentos. O teu sorriso. A minha mão na tua.
E volta a dor. A dor da tua ausência.
Passaram dois anos, e a dor permanece.
Amor desfeito.
Lágrima que deito.
Sem olhar para trás.

sábado, 20 de setembro de 2014

Carta a um amor abandonado

Amor abandonado,

Eras tu. A pessoa em quem eu podia confiar, as minhas tristezas e as minhas alegrias, as minhas comigo e as minhas contigo, sobretudo contigo.
Eras a pessoa que me iria salvar do meu abismo.
Mas, no final de contas, não eras tu. Nunca foste. E eu no fundo sabia. Sabia que não virias, nunca mais. Mas não acreditava. Era, e sou, ingénua.
"O amor acontece quando desistimos de ser perfeitos." Fui perfeita para ti? Não respondas. Se fosse, estarias comigo, aqui, agora. E não estás. A única certeza que tenho é essa. Não estás.
Abdiquei de muita coisa para estar contigo. E no fim, abdiquei de ti. Para ser feliz? Não sei o que isso é. Sem ti não sei.
Já não consigo chorar por não te ter. De alguma forma já me conformei. Que remédio, não?
Será que voltas?
Será que quando voltares eu estarei aqui? Pensas que estarei à tua espera?
Talvez esteja.
Conheces-me.
Sabes que estarei.
Mas não como dantes.
Quando voltares, não serei tua. Não da mesma maneira que fui.
Não vais ter o meu sorriso.
Não vais ter o meu abraço. Aquele que tanto querias.
Fui egoísta para te ter só para mim. E não tive.
Não esperes que esteja de braços abertos quando voltares.
Mudas-te-me. Orgulha-te ao menos disso. Mudaste tudo em mim. Já não há amor dentro de mim. a doçura que dizias eu ter no olhar, perdeu-se. Foi contigo para bem longe.
Quero ver-te sofrer.
Agarrar no coração e deitá-lo para bem longe.
Quero ver-te agoniar.
Desejar nunca ter nascido.
Porque foi assim que me deixaste quando foste embora.
Sem chão. Sem alma. Sem salvação.
De certa forma, levaste-me contigo. Mesmo sem eu querer. Mesmo sem eu saber.
Espero que sejas infeliz.
Que não encontres ninguém como me tinhas a mim. Que ninguém te faça tão feliz como eu fiz.
Espero que definhes sozinho.
Desamparado.
Sem alma, como a mim me deixaste.

P.S. Não voltes.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Foi em Setembro que te perdi.

Já não escrevo há muito tempo. Talvez porque neste intervalo, as palavras não fizessem sentido. Talvez porque não conseguia escrever aquilo que sinto. Fazes-me falta, já te disse? Fazes-me tanta falta.
Encontrei em ti o meu ideal.
Encontrei em ti alguém que eu não fui, nem sou, capaz de ser. És a minha ambição, o meu sonho tornado realidade. Mas, tu, meu pequeno Deus de algibeira, já não queres saber. Não te guardo rancor, mas não entendo, como é que depois de tudo, e o tudo foi pouco, não me queres ver.
Sinto-me abandonada por ti. Sinto-me esquecida. Anseio pelo dia em que vou voltar a ver-te. Olhar para ti mesmo sem te dizer nada.
Eras o meu ideal. Tens noção disso? Não. Tu nunca tiveste noção disso.
Eras mais do aquilo que pensavas. E por ti abdiquei de muitas coisas. Por ti abdiquei de ser feliz. A mágoa que sinto quando penso no que aconteceu, é mais forte do que qualquer sentimento. Apaga todos os outros. Porque sim, a mágoa ainda cá está.
O perdão é irreversível.
Não existe perdão.
Nem eu pretendo que me compreendas.
Será que vale a pena?
Será que tu vales a pena? Pensava que sim. Que irias ficar comigo como tens ficado. Que nos voltaríamos a ver, e tudo seria como dantes. Mas não, agora é como se nunca tivesses existido.
Deixa-me ser egoísta. Deixa-me ter-te só para mim.
Não tenho saudades tuas.
Tenho saudades de ti. Da tua simples companhia. Do teu riso alegre que contagiava o meu. Da tua mão sobre a minha quando querias que te olhasse nos olhos.
Eu olhava. E via-nos aos dois.
Estou só. Porque me quiseste assim. Porque me deixaste. Porque eras a minha companhia.
Anseio voltar a ver-te, para que me tires desta solidão, destas cordas que prendem ao que tu não és. Não és meu.
Tenho duas almas em guerra por ti, e nenhuma vai ganhar, porque tu não vens.
Volta. Tens alguém contigo que te dá a merecida atenção, o merecido descanso, mas eu também preciso de ti.
Disseste que iria ter uma surpresa. Foi esta a surpresa que me quiseste dar? Estar longe de mim?
Eu sabia que iria ser assim. Porque eu no fundo conheço-te.
Sabia que a minha alma egoísta não me levaria a ti, e me tiraria de ti. Mas também acreditava em algo melhor. Acreditava em ti. Confiava em nós.
Fizeste de mim uma pessoa a quem podias contar sentimentos e depois fugir. Mas também fizeste de mim uma pessoa melhor. Estiveste comigo quando precisei, e mesmo quando não precisei.
Hoje acordei e não estavas a meu lado. Mas alguma vez foste meu? Alguma vez me pertenceste por inteiro?
Hoje acordei e não estavas a meu lado. Cada vez me convenço mais que não foste, não és real.
Cada vez me convenço mais que não voltarás a estar comigo. Que tudo não passou de uma fantasia, tua e minha. Fizeste-me acreditar que me irias incluir no teu mundo, que quando mais precisasse de ti, tu irias lá estar. De braços abertos e de sorriso no rosto.
Que não irias ser todo meu.
Mas que metade de mim te iria pertencer.
Prometeste que irias lá estar. Mas alguma vez estiveste mesmo?
Oh Deus, quem me dera voltar atrás. Voltar a sentir-te perto de mim. Mas não. O tempo é o aqui e agora.
Não és meu.
Não foste meu.
Não serás meu.
Perdoar não é esquecer. E eu vou esquecer-te. Mas não me peças para te perdoar. Quanto mais te escrevo, mais a dor da tua ausência se acentua.
Fica.
Não partas agora.
Demorei tanto tempo a aprender gostar de ti. Cada dia que passei a teu lado, foi um momento único, e só meu.
Lembras-te de mim? Certamente que não. Já passou mais de um ano.
Fica, amor.

Era o que eu mais queria.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Fim

Fazes parte de mim. Estás em mim quando escrevo, quando ando por aí, estás em mim quando penso em ti. Tiraram-me de ti. Arrancaram-me de ti por pensarem que não era capaz de te fazer sonhador. Queria puder ver-te mais uma vez. Dizer-te tudo aquilo que não te consegui dizer. Talvez falasse através dos beijos. Talvez não te quisesse dizer mesmo nada. Sabes que começo a esquecer o som do teu riso? O meu coração está em silêncio desde o dia em que partiste. Que estupidez! O que é que me faz estar aqui ainda, quando o que mais quero é DESAPARECER! Volta. Fala. Discute comigo para ao menos recordar a tua vez, ainda que digas coisas que mereço ouvir. Eu sou o tempo; sou nada, o nada veloz e imóvel que molda o corpo do tempo. Deixar de ser é ainda acatar as regras implacáveis do ser. Estou esgotado de correr contra a dor, contra a memória, contra a infância, contra o amor e o ódio. Não há paz no instante, e eu vivo de instante para instante.

Ensina-me uma dor que não passe, ensina-me a sofrer. Ensina-me uma dor que não passe, que possa fulgir no sulco das lágrimas quando as lágrimas tiverem secado, que possa deixar um lastro sobre a mesa em que a minha cabeça pousou, desesperada.

Tudo isto é o fim.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Deixa...

O desejo de ser teu, o desejo de te poder sentir, de te poder tocar, é aquilo que sinto neste pequeno momento que parece uma eternidade. Mas deixa, não faças nada, não te mexas, mantém-te assim, bela para mim, deixa-me contemplar a última beleza que me apresentas. Ao teu simples olhar, ao teu simples toque, até as almas mais castas pensam na impureza. Sinto-me atraído por ti. Mas esta atracção é diferente. Leva-me a pensamentos que não quero ter, mas essencialmente a sonhos que desejo ter... Sabes, um beijo é um segredo falado sobre a boca, e eu tenho tantos segredos para te contar... Deixa-me ser teu, deixa que nos meus sonhos tu sejas a actriz principal, deixa que sejas a minha princesa e eu o teu príncipe que te vai salvar dos pesadelos. Deixa este momento durar para sempre, que o hoje não seja o amanhã, que não seja um sonho, mas se porventura for, deixa, não acordes porque eu também não o farei. Meu Deus, permite que este delicioso "acontecimento" perdure até amanhã, e depois de amanhã, e sempre até ao fim das nossas vidas...

Um único pensamento

Penso em como o mundo poderia acabar e eu estaria sempre a teu lado, penso em como te posso amar sem o saber, penso em como nós poderíamos ser felizes sem saber o que é a felicidade. Amar-te é a única palavra verdadeira que te posso dizer pois vem de dentro de mim como se a minha alma nascesse de novo. Amo-te e Amar-te-ei sempre, pois é só para isso que vivo. Um dia poderei morrer em paz, já que dentro de ti existe algo que me pertençe mas que eu te dei há muito tempo, a minha vida... És isso, és a minha vida... Por ti sofro, por ti morro, por ti vivo... Espera por mim e eu te alcançarei, tocar-te-ei com estas mãos traçadas com a tinta que corre dentro de mim. Restos de ilusão, restos de sofrimento. Olho para trás e penso como a minha vida seria sem a tua presença... Talvez fosse tudo um pesadelo, algo de certo que não queria viver. Mas agora que te encontrei, posso repousar em ti, encostar a minha alma à tua, posso-te pedir que passes o resto deste sonho comigo... e não acordemos desta ilusão que me rodeia. Deixa-me quebrar o silêncio nos momentos em que eu digo que te amo... Vamos ser um só, uma só alma, um só ser...

Sim, fazes-me falta.

Hoje, sentada no café a contar os minutos que passam, penso em ti. E é algo que me impressiona pois já não o faço há muito tempo. Mas a verdade é que sinto saudades tuas. Dos momentos que passamos juntos e com os quais eu fui feliz. É vergonhoso até pensar assim. Por tudo o que fiz. Por preferir ser egoísta ignorando que eras, realmente, importante para mim. Por pensar que o mundo girava à minha volta. Mas o meu mundo desabou quando disseste adeus. E agora, estou aqui sozinha, sem ti, agarrando-me ás memórias que ainda conservo. Tanto as boas como as más.

Já é tarde, e os minutos continuam a passar. Nada é eterno.

Anseio por quem me possa libertar desta dor, do sofrimento por ter saudades tuas. Quem me dera poder abraçar-te. Sentir-te de novo junto a mim, nunca te perder de vista. Mas eu tive a minha oportunidade, e não a agarrei.

Mas tu mudaste. E eu não o consigo fazer. Mas é preciso. É preciso esquecer que algum dia foste meu, e que não te tive por inteiro, que não te prendi e por isso é que fugiste.


Sim, fazes-me falta. 

O desespero

Quero estar contigo e não posso.


Anseio ver-te mas não me deixam. Gostava de voltar atrás. Fazia as mesmas coisas, com a mesma paixão, mas dizia-te que te amava verdadeiramente. Não te disse, e é por isso que agora estou sozinha. Não, não há mais ninguém a não ser tu que me possa libertar desta dor que vivo constantemente, e que sinto por não te ter. Apetece-me abraçar-te. Talvez porque a última vez que estive contigo foi quando nos beijámos pela última vez e nem sequer disse adeus. Porque pensei que as coisas teriam solução. Estupidamente pensei isso. E tinham solução. Se eu engolisse o meu orgulho e deixasse de ser egoísta. Hoje tenho o que mereço, que é o não te ter. O estares tão perto de mim e eu não te poder ver ou sequer tocar, porque tu não deixas, foges de mim, já não confias em mim. O que posso fazer? Fazes-me falta porra! Nem irias acreditar mas estou completamente sozinha. Só me tenho a mim mesma e já nem em mim própria confio. Se ao menos pudesse voltar atrás, ou se ao menos eu pudesse pedir desculpa a todos pelo que fiz. Mas ninguém me ouve. És das poucas pessoas que se calhar fala comigo, ou falava, porque já há algum tempo que não dizes nada. Apetece-me mesmo desaparecer. Não sei mais o que me prende aqui. Talvez tu. Mas estás tão longe. E quando tenho esperanças que te possa vir a ter, tu foges outra vez. Não sei o que fazer. Os meus dias são batalhas contra o esquecimento. Quero esquecer-te e não consigo. Recordo todos os momentos com a mesma intensidade com que os vivi. Quero lembrar-me de todos para sempre. A forma como éramos um só. A forma como nos amávamos. Fala comigo. Falem comigo. Antes que perca, simplesmente, a vontade de viver.

domingo, 11 de outubro de 2009

Fogo & Gelo

Sem ti eu não posso perder-me na escuridão, nem abraçar o fogo imenso que me corrompe a alma. Sem ti, eu limito-me a existir, e não a viver, limito-me a sentir o teu cheiro, ainda concentrado no meu corpo. De noite grito por não te sentir ao meu lado, as lágrimas teimam em sair por tu me teres abandonado. E eu, sozinha, deambulo pelo meu mundo que outrora te pertencia e hoje está envolvido em teias que consome o amor que tinha por ti. Lá fora, a lua abraça o céu. Os lobos dão sinal da sua presença. Mas eu não tenho medo. Apenas quero que regresses para mim, para o teu eterno descanso.
Perdida na solidão de uma delinquência quase alcançada. Chamo-me louca por ainda te ver, mas esta a que chamo louca penas guarda as memórias de um reino brilhante, que hoje esmorece e se torna escuro e frio. Mas o frio provém de ti, meu amor. Querias que me tornasse igual a ti. Que nós os dois pudessemos alcançar a tão cobiçada "eterna felicidade". Mas tu partiste sem me dizeres o teu nome, limitaste-te a sair enquanto dormia para não me acordar, ou talvez para evitar desgostos e tristezas.
Sinto-me à beira mágoa, afectada por um pesadelo-morte. Uma canção de embalar interrompida pelo passar do tempo. Um coração que cai e se estilhaça em pedaços de vidro. Uma dor dilacerante que teima em rasgar-me o peito. Um corpo de fogo que se prende ao frio do chão tocado pela neve.

Memórias

Agora no meu sonho, eu já não sou a actriz principal.
Vislumbrei a tua silhueta, e estendi-te a mão para que viesses ao meu encontro. Trazias no olhar a escuridão do desejo e da paixão, e na pele o frio de Inverno.
Sob o teu andar delicado, vieste ter comigo.
Porque é que sinto que te estou a perder cada vez que olhas para mim?
Abracei-te de saudade e eterno amor, e jurei que levaria os teus braços para me esconder neles.
"Não partas nunca mais", era o que devia ter dito. Mas não me deste o tempo que eu queria. Senti o macio tecido do teu casaco que trazias vestido. Azul do fundo do mar.
Acordei, e como sempre, passei a ser a actriz principal de um sonho que nunca aconteceu.