domingo, 26 de abril de 2015

Se for preciso, mente-me

Se um dia disser que te amo, tanto como noutro dia qualquer, mente-me.
Se numa loucura, na tua cama, no meio dos teus lençóis, entre as quatro paredes do teu quarto, tiver um momento de lucidez e disser que te amo, não pares.
Porque quanto mais me iludes mais eu te adoro, e peço-te para não fugires.

Se um dia quiseres falar disso, falemos.
Volta e fica comigo. Adormece-me de novo. Afasta os pesadelos e os fantasmas que nos atormentam. Porque só tu me acalmas. Só tu trazes a paz que preciso. Serás sempre o meu porto de abrigo.
Se for preciso, mente-me.

Que nunca fiquem abraços por dar, promessas por cumprir.
Que nunca fiquem momentos por partilhar.
Que nunca te faltem as palavras. Por favor, que nunca te faltem as palavras.
Se for preciso, mente-me.

Tenho os meus braços à volta do meu corpo porque não estás comigo e sinto a tua falta. Sinto falta do teu toque. É incrível como sinto a tua falta. O meu corpo habituou-se a ti.
E se não estás comigo, não estás em mim.
E se não estás em mim, não estou contigo.

Se for preciso, falemos da ausência, da distância, da saudade. Fala comigo.
Quando eu quiser falar de nós, diz-me que estamos bem. Mas não mintas. Sobre isto, não mintas.
Quando eu quiser falar do passado, diz-me que tudo ficará bem, que não vais deixar a dor voltar e a mágoa renascer.
Quando eu quiser falar do passado, cala-me com um beijo. Pede-me para parar e diz-me que vou ser feliz.

Quando eu quiser chorar, encosta-me a ti, e deixa as lágrimas caírem. Se algum dia molhar a tua camisa, perdoa-me. Mas não olhes para mim.
Não quero que a minha dor seja a tua dor. Quero que a tires de mim. Que a arranques de mim, da raiz como a uma erva daninha, pois só assim não voltará a nascer.

Fazes-me falta.

Mas a vida não é mais do que essa sucessão de faltas que nos animam. 




Porque depois da liberdade, a esperança.
Será que ainda me resta tempo contigo?

sábado, 25 de abril de 2015

A ti

Quero dizer-te tanta coisa mas acabo por nunca dizer nada.
Provavelmente não te conheço assim tão bem quanto penso, mas sentir que és uma parte de mim, por mais pequena que seja, é o que me basta para tentar encontrar-te em todas as esquinas em que não nos cruzámos.
Deixa-me conhecer-te por completo no teu perfeito total. Deixas?

Temos frases só nossas, momentos só nossos que são capazes de marcar, como a mim marcaram e continuam a marcar.
Temos olhares só nossos que bastam para tranquilizar. 
Quando o Mundo lá fora está de pernas para o ar. 
Quando a vida dá tantas voltas e só tu percebes.

Também podes encostar-te a mim sempre que quiseres, olhar para mim e pedir-me um abraço, olhar para mim e pedir silêncio.
Como se me faltasse o ar quando não te tenho e me faltasse ainda mais quando te tenho, lembras-te?

Gosto de olhar para ti.
Porque dizem que os olhos são o espelho da alma, e não sabes quão bela é a tua.
Porque a minha está carregada de momentos, palavras e horas que existiram. Em mim e em ti.

Daqui a dez anos continuarás a ser o fantasma mais presente na minha vida e, se não estiveres onde estou, não sei porque irei ver-te sempre em mim. Porque sei que irei ver-te sempre. Sei que estarás sempre.
Daqui a dez anos o meu lado lunático virá ao de cima sempre que me lembrar do que não passámos e das noites que dormi sem ti.
Daqui a dez anos vou lembrar-me de nós. E vou sorrir.


Tantas vezes chego a casa sozinha e procuro-te em cada canto. Não tenho medo dos barulhos cá de casa, mas a casa sabe a tua voz. E ecoa-a em todo o lado.
Já te disse hoje que foste a pessoa por quem eu mais suspirei e nunca estivemos juntos? E quem diz suspirar diz prazer, e quem diz prazer diz... tu sabes.
Daqui a dez anos vou lembrar-me disto. Daqui a dez anos, vais lembrar-me disto.
Alimentava-te a alma.

Podia pedir-te desculpa. Dizer-te, olha, desculpa, aconteceu. E podia dizer-te que preferia ter-te encontrado há cinco anos atrás. Para quê? Não seria como é agora. Porque não temos nada, mas temos tudo, lembras-te?
Ninguém manda no coração mas gostava que mandasses no meu.
Ninguém é perfeito, mas eu gostava de ser. Para ti.

Não era suposto falar de ausência. É difícil. Tu sabes.
Mas já pensei nisso quando estivemos juntos.
Porque, de que me adianta pousar os meus lábios nos teus e beijar-te, abraçar-te e preencher-te a alma, se não posso ter o teu coração?
Porque és tu o amor. E se não houver tu mais vale haver apenas eu. Afinal de contas, antes passar a minha vida a apenas sonhar que sou tua, que passar a minha vida a fingir que sou de outra pessoa.

Não era suposto falar de ausência contigo. Tu que me preenches. Que apagas a dor e renovas a esperança. Isso basta.
Basta-me olhar para ti e fechar as tuas pálpebras com a minha mão, chega-me olhar para ti e passar os meus dedos pelos teus lábios, chega-me a tua presença, chega-me olhar para ti e adivinhar o que estás a pensar.
Não preciso sequer que fales.

Perdoa-me as vezes que te ignorei, que fui orgulhosa, e que quis fugir de ti.
Perdoa-me as vezes em que me escondi de ti. As vezes que te magoei, em que fui egoísta, em que precisaste de mim e eu não estive lá. Em que nunca estive.

Gostava que me mentisses. Que por uma vez me dissesses que sim, que o passado é passado e já não volta.
Tenho duas almas em guerra por ti, e não sei qual ganhará.

Já tivemos dias como o de hoje. De tempestade.
Já saí do teu carro zangada, bati a porta com força, e jurei que nunca mais iria falar contigo.
Mas também já pensei que não querias ver-me e estar comigo.
Mas estiveste.
E eu voltei a falar.
Amar é permitir que nos magoem, lembras-te?

Espero que um dia possas perdoar-me.
Espero que um dia falemos disto.
O amor não é complicado.
As pessoas é que são.
"Pessoas que nos mimam em silêncio, que nos dão um abraço onde cabe o Mundo inteiro", lembras-te?

Porque hoje é o dia da Liberdade.
A ti.
Obrigada.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

E se um dia acordar?

Fazes-me falta, de novo.
E disseste, da última vez que falamos, que também sentias a minha falta.
Saí de casa, e não falei de ti. Porque tive medo de ouvir que não era bom sentir saudades tuas. Tive medo de ouvir, mais uma vez, que o melhor era virar a página. Mas será que ninguém percebe que é isso, precisamente, o que eu não quero? Que não quero apagar-te de mim, que te quero gravar em mim? Porque foste o melhor que me aconteceu. Foste até hoje, o melhor de mim.
Tenho medo de esquecer-te.
E sei que isso, é talvez, o mais provável de acontecer.
E se um dia acordar, e souber que não voltarás?
Depositei em ti tudo o que quis ser.
Sabia que podia contar contigo. No momento certo, e seria capaz de marcar. Como marcou.
Como naquele dia, no banco de jardim, o sol brilhava e os teus olhos também. Era Verão, e cheirava a mar. Falámos de nós. Disse-te que queria estar sozinha. Não percebeste que não era longe de ti, mas sozinha, contigo? Que estarias sempre em mim, acontecesse o que acontecesse.
Estávamos bem. Éramos felizes, lembras-te?
E se um dia acordar, e souber que não voltarás?
E se perder tudo aquilo que tivemos?
E se perder a sensação de te ter de novo? De, simplesmente, voltar para os teus braços, fechar os olhos e pensar que agora está tudo bem.
Uma carícia no rosto, um beijo sobre as lágrimas que caiem, quando algo vai mal.
Faltar o ar quando não se tem, e faltar ainda mais quando se tem.
A saudade que dá, aquele aperto no coração longe de quem se gosta. É no início da semana pensar, que nunca mais vem o fim para te ver.
Disseste que ajudava a suportar os teus dias de tempestade. 
Quando te vir, vou perguntar-te, porque transformaste os meus numa?

Mais de que um gesto, talvez a palavra defina melhor o Homem.
E, por vezes, não é o excesso de palavras que magoa.
Mas a falta delas.
Volta, e traz todas as palavras que tens para dizer. Traz o abraço que tanto preciso, e a saudade que disseste que tinhas. 
Estarei sempre aqui, à tua espera, para te ouvir.

terça-feira, 31 de março de 2015

O super-homem

Chegas a casa cansado.
Tiras a máscara, e o fato, que envergas todos os dias e todas as noites, pronto a enfrentar o Mundo.
Estás em frente ao espelho e olhas para aquilo que vês.
Um rosto depois de um dia longo.
As rugas, de uma vida cheia, a barba por fazer que anuncia um amor antigo, ainda não ultrapassado.
Os cabelos brancos lembram-te as Primaveras passadas, e os Invernos em que dormiste ao lado da pessoa que amavas.
Sorris.
És tu de novo.
Carregas o peso do Mundo aos teus ombros, e ainda assim, enfrentas o dia e a noite com um sorriso no rosto, e uma expressão bem disposta. Sem pressas, sem tempo, sem saberes bem porquê.
És super amigo, super colega, super pai.
Salvas tudo e todos, porque também já me salvaste a mim, mas esqueces-te que também tu precisas de ser salvo. Porque também há quem queira cuidar de ti.

Novamente, noite.
Ainda não entraste em casa, estás a um passo de abrir a porta, e há alguém a chamar por ti.
Voa super-homem, voa.
O Mundo precisa de ti.

sexta-feira, 27 de março de 2015

O outro lado da saudade

Passaram dois anos e sete meses.
Valeu a pena?
Não vou perguntar se és feliz. Sei que fomos, e isso basta.
Lembro-me do dia em que apareceste de novo, depois de uma ausência prolongada. Chovia torrencialmente, eu sem guarda-chuva, e tu também, porque nunca precisaste dele, e tu vieste ter comigo no meio da avenida. Foi aí que percebei que, jamais, irias deixar-me. Que voltarias sempre. Voltarás?
No outro dia estava com alguém especial. É engraçado como a vida dá tantas voltas. Ele apareceu quando tu te foste embora. Ninguém é substituível. Mas de certa forma, preencheu um certo vazio que a tua partida deixou. Mas há um lugar que ele não ocupará. Esse pertence-te, ainda que não volte a ver-te. Não me completa, porque faltas tu. Faltas sempre tu.
Também estivemos afastados durante algum tempo. Eu decidi afastar-me. Já sabes como sou. Não consigo estar muito tempo no mesmo sítio.
Perguntou-me se tive saudades. Estranhou eu estar fria, ausente. Disse-lhe que sim, que tinha tido. A saudade dói. E tive que, por ti, aprender a não ter. Disse-lhe que tive que aprender a não ter.
Tretas. Quanto mais o tempo passa, mais a saudade aumenta. É a única lembrança que me resta de ti. É a única coisa que fica depois de alguém partir.
Temos uma amiga em comum, e um dia destes vou ter com ela. É a única coisa que me liga a ti. Todas as vezes pergunta-lho se estás bem. E não sabes como dói perguntar. Mas tenho que o fazer. Para saber que ainda existes.
Da próxima vez pergunto-lhe se é mau sentir saudades tuas. Às vezes sinto que é. Devia virar a página, como tantas vezes ela disse para fazer. E viro, mas continuas lá, na página seguinte.
E o mais engraçado no meio disto tudo, é que vives a cinco minutos de mim. Passamos sempre pelos mesmos sítios, vemos sempre as mesmas coisas, pisamos vezes sem conta o mesmo chão. E sinto, sempre que o faço, que estás ao meu lado.
O mais engraçado é que todos os anos, e já lá vão dois, continuas a desejar-me Feliz Natal. E a esperar sempre, que o ano que aí vem seja melhor que o anterior. Não sabes que seria se tu ainda estivesses em mim?
Espero um dia encontrar-te, e mostrar-te o que escrevo.
Foste a única pessoa que disse que gostava do que escrevia e pedia para o fazer mais vezes.
E continuas a ser.
Vais ver, um dia havemos de estar sentados num café, a conversar sobre a ausência e a rirmos disto tudo.
Vais ver.
Será como se nunca tivesse passado um único dia sem nos vermos.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Vive intensamente

Nunca recuses um beijo roubado. Oferece-o, para que te saiba ainda melhor.
Nunca recuses um abraço apertado. Preenche os espaços vazios, e aproveita todos os intervalos.
Ama como noutro dia qualquer. Cultiva o interesse e o desejo, preserva os sentimentos.
Diz que gostas de alguém só pelo prazer de ver o brilho nos olhos da pessoa que está à tua frente. Diz que gostas de alguém sempre que ele quiser.
Pergunta se "estás bem", quantas vezes quiseres, sempre que quiseres. É por perguntar se "estás bem" que cuidas, proteges e amas.
Agradece o amor que te dão, aceita o ódio e a culpa.
Aceita o defeito, o erro e a queda.
Aceita o improvável, o desafio, e o que ainda está para vir.
Aceita o mal que te fazem, porque te tornam ainda mais forte. 
Sê como és.
Inteira.
Aceita o colo e o carinho. Não sejas egoísta, e aceita que precisas de alguém, e que todos precisam de ti.
Retribui tudo o que te dão. Em gestos e em palavras.
Não olhes só para ti, e agradece que alguém esteja ao teu lado a torcer para que tudo fique bem.
Beija sempre que quiseres, e beija ainda mais quando o outro quer. Nos momentos maus e nos momentos bons, para que estes fiquem ainda melhores.
Saboreia os lábios do desejo, e a pele na tua pele. Continua quando te faltar o ar.
Não tenhas vergonha e pede um abraço.
Oferece o teu ombro, e faz alguém feliz. Descansa naquele que te faz ainda mais feliz.
Volta a agradecer o bem que te fazem.
Vive intensamente como se cada instante fosse o último. Olha para trás, e agradece o bem que te fizeram.
Agradece estares viva, e por o Mundo à tua volta estar a sorrir. 
Ri com alegria.
Chora com vontade.
Sonha com o impossível.
O Mundo pertence a quem se atreve.
E a vida é muito para ser insignificante.
Insiste. Persiste. E nunca desistas.
Um dia, conquistas.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

E a magia acontecia

O final de tarde à sombra de um candeeiro de rua, sozinho, a lançar uma luz que protege os mais audazes. Um abraço apertado, e uma mão atrevida que repousa onde não podia, mas devia. Uma carícia suave num rosto frágil, em que os olhos vêm para além de ti, e os lábios aguardam o beijo há muito anunciado. A conversa vai encurtando o espaço entre nós, que já é tão pequeno. O luar encontra-nos na noite, e alcança o teu rosto, desenhando-o sobre as minhas mãos.
Poderia ter sido no elevador.
São só três andares.
Talvez encostasse a cabeça ao teu peito, e te pedisse para me levares dali para fora. Aproveitava todos os intervalos entre nós.
São só três andares.
Mas porque é que o edifício tem cinco e não trabalhamos no último?
Às vezes o tempo pára, e eu páro com ele.
Olho para a cadeira, que um dia foi tua, e tenho saudades dos dias em que aparecias à porta com um sorriso no rosto, e o peso do mundo nos teus ombros.
Dos dias em que me pedias que te levasse um beijo, em que me admiravas, quando estava concentrada, levantava a cabeça e sorria para ti.
Lembro-me do dia em que te conheci. Trazias no rosto uma mensagem de esperança, e anunciavas que tudo iria ficar bem.
Lembro-me das conversas. Em que podia ficar a ouvir-te, sem dar pelo tempo a pensar. Em que o tempo era nosso.
E a magia acontecia.
Em que olhava para ti, e não acreditava que estavas ali, tão perto, à distância de um toque.
Foram mais os dias em que precisei de ti, do que aqueles em que te tive.
Descobri há pouco que me podias ter feito feliz, e que fizeste feliz.
Prometeste que me irias dar o mundo se fosse preciso, só para me teres contigo.
E deste. O mais engraçado é que deste.
Fui de extremos contigo. Tive o melhor dia da minha vida contigo, e tive o pior. A tua ausência, de mim. Sentir que não te tinha, mas que já te tive.
Aprendi que o pior não é ter. É já ter tido.


sábado, 27 de dezembro de 2014

Como o mar calmo depois da tempestade

Estás sozinha.
Chegas a casa, e depositas os teus restos mortais na cama. Sabe bem.
Acendes o cigarro, prometes que é o último, e começas a sentir as lágrimas a escorrer pelo teu rosto. Sentes o frio, da noite fria, na tua pele fria. Tens a janela aberta, a lua a abraçar-te, o vento na cortina, e não te importas.
Sentes a almofada molhada das lágrimas que deitas, e tens a certeza que a noite vai ser longa, que o sono não virá, e que não é um pesadelo aquilo que vives.
Relembras cada palavra, cada gesto, cada erro que deste e voltarias a dar.
Relembras cada abraço e cada beijo. Cada toque e cada sorriso que houve, e que não haverá mais. E não entendes. Não te reconheces. Não és tu.
Foste feliz, admite.
Deixa de ser orgulhosa, e admite que há alguém que gosta de ti, que cuida de ti. Admite que és humana e que erras.
Egoísta.
Complicada.
"És um teste à minha paciência."
A frase ecoa nos teus ouvidos pela noite dentro. Nunca te sentiste tão abandonada.
Tens vontade de correr atrás dele. De o insultar. Dizer-lhe "basta", que não impões a tua presença a ninguém, muito menos a ele, que não queres ser um peso para ele.
"Magoas-me, mas olhas para mim com esses olhos e pego em ti ao colo mais uma vez."
Pensas em desistir.
"Sê normal, cresce!". Tens sido anormal, não humana. Não cresces. Estás parada no tempo, a aguardar o intervalo.
Pensas em desistir outra vez. De quê, não sabes.
Já foste feliz. Mas também já chegaste a casa, e pensaste em cometer uma loucura. Em virar o mundo do avesso, o teu mundo.
Já foste infeliz, Mas os teus olhos já brilharam, e o teu coração bateu mais forte quando o abraçaste naquela tarde de inverno, e ele disse que gostava de ti.

Sim, sou eu. Sou eu a precisar de ti.
Tenho vontade de te pedir que desistas. Estou a sentir-me a mais,
Chamas de "neurose" aquilo que eu chamo de dor.
Contei-te os meus segredos, e tu, em troca, apelidaste-os de "neuroses".
Lamento que não entendas.
Arrependo-me de te ter contado a minha vida, de te ter entregue a minha vida.
Quiseste insultar os meus fantasmas, mas brincaste com o fogo e eu é que me queimei, Quiseste espantar os meus demónios e lutar comigo para que vivesse.
Não pegues em mim de novo.

Um dia dei por mim a pedir-te para não desistires de mim. Mas foram demasiadas as palavras entretanto.
Pediste-me para ter cuidado com as palavras.
Terei.
Pediste-me para ser normal.
Não sabes como me magoaste. Senti-me presa numa cela de um manicómio. Mas afinal, até dizem que o mundo precisa de loucos, Loucos uns pelos outros.

Também sei ser distante. Também aprendi a ser fria com o passado, com a "neurose" como lhe chamas.
Não repitas.
Basta dizeres, e tudo isto desaparece.
"És um teste à minha paciência". A frase de novo. Não sabes como dói.
Não temas.
Voltará a ser tudo como se nada disto tivesse acontecido.
Isto tudo seria verdade, se não fosse o facto de amanhã me abraçares de novo.
Como o mar calmo depois de uma tempestade.



sábado, 8 de novembro de 2014

Não estamos

O que é o amor?
Aquele sentimento que nos arrebata o coração.
Aquele sentimento pelo qual respiramos, pelo qual vivemos, pelo qual sofremos, e pelo qual somos capazes de matar. Reduzimo-nos à mais pura insignificância, só pelo prazer de amar. Ninguém gosta de não ser amado. Ninguém gosta de ser rejeitado.



Foi em Janeiro que te reencontrei. Trazias no rosto o frio de inverno, e no olhar, a saudade da primavera. Tocaste-me na mão. Pediste-me que te acompanhasse, e eu, inocente de cego amor, fiz o que pediste. Não te larguei mais. Juro, por amor, que não o farei.
“Salvaste-me”, foi o que te disse. E tu, mais tarde, irias fazê-lo de novo. Salvas-me constantemente.

Ensina-me o amor.
Ensina-me a dor de não amar.
Sabes? Aquela coisa que está dentro de mim e cresce por ti. Não sei como lhe chamas.
Aquele sentir-te junto a mim, sabes? Com a chuva lá fora, a escuridão à nossa volta, o teu olhar no meu, as nossas mãos unidas. Aquele aconchego da alma, sabes? A curta distância entre nós, o beijo que ficou por dar, e o abraço no fim da noite.
Amar é ter no tempo um tempo eterno. Será?
Ensina-me a amar-te.

Pedi-te para me levares daqui. Para me perder no fundo do teu olhar. Para levares os meus braços. Para me esconder em ti. E tu não o fizeste. Tinhas outros planos para essa noite. Mas ficou a memória da tua pele sobre a minha. A memória daquele beijo. E o silêncio da noite sem ti, a lua que não veio e o mundo que parou.

Hoje adormeço sozinha de novo.
Não posso mentir que as lágrimas que não vês são saudades do beijo.
Foram muitos os dias que passei ao teu lado, e foram mais ainda aqueles em que tentei compreender-te. E acho que não consigo. Ou então sou eu que não me compreendo. Se calhar é isso. Tenho a certeza que é. Porque tu estás aí, eu aqui, mas não estamos. Compreendes? Não somos plural.

Sim, penso em ti. Sempre.
Vejo-me a perder-te. A nunca mais conseguir alcançar-te. A escorregares das minhas mãos como a areia que o mar leva.
E a dor. Vejo a dor.
E a ausência. Um querer-te e não te ter. Mas pior, saber que já te tive.

Tento abafar o grito que não queres ouvir. O grito final.
Como posso magoar-te tanto?
Como podes viver comigo?
Um dia acabas por matar-me.
Mas não se antes de ti, eu o fizer primeiro.

sábado, 4 de outubro de 2014

Não sabes de nada

Não me venhas falar de amor.
Não venhas dizer que esperaste por mim e que não conseguiste alcançar-me.
Não foste tu que sofreste.
Não foste tu que bateste no fundo. Que te sentiste esquecido. Que te sentiste abandonado.
Tu não sabes nada sobre o amor. Nada.
Não sabes o que é amar. Não sabes o que é esperar por alguém e já não ter ninguém.
Achas que vale a pena tentar?


De tanto doer a tua ausência, um dia, já não me vais fazer falta.
E nesse dia, serei feliz.
Sem ti.
Ausente de mim.

Amor desfeito

Foram muitas coisas que aconteceram.
Foi a dor da tua ausência, e saber que poderias nunca mais regressar.
Foi eu ter abdicado de tanta coisa para te ter. Ter abdicado de tanto por tão pouco.
Gostava de voltar atrás. De te agarrar. De não te largar. Porque, desta vez, juro, não te largava. Não te deixava ir.
No meio de tudo isto, apenas uma pergunta. Porquê?
Faltam 20 dias, e não sei se te direi algo. Apetece-me correr atrás de ti. Agora. Não adiar mais. Mas sei que não me vais querer. Que vais ignorar-me como tantas vezes fizeste.
Foram tantas as palavras que ficaram por dizer. Mas aprendi algo. Aprendi a não confiar. Aprendi a não chorar. Nunca mais. És o culpado por não amar de novo.
Seria estranho se te visse agora. Mas é previsível. Estás tão perto de mim. E no entanto, tão longe.
És o motivo do meu vazio por dentro.
De não querer viver.
Porque vivia por ti. Para ti. E agora que não te tenho, vale a pena?



O tempo pára.
Voltam as memórias.
E com elas a dor.
Quero-te.
Não posso. Não estás mais em mim.
Voltam as memórias.
Os bons momentos. O teu sorriso. A minha mão na tua.
E volta a dor. A dor da tua ausência.
Passaram dois anos, e a dor permanece.
Amor desfeito.
Lágrima que deito.
Sem olhar para trás.

sábado, 20 de setembro de 2014

Carta a um amor abandonado

Amor abandonado,

Eras tu. A pessoa em quem eu podia confiar, as minhas tristezas e as minhas alegrias, as minhas comigo e as minhas contigo, sobretudo contigo.
Eras a pessoa que me iria salvar do meu abismo.
Mas, no final de contas, não eras tu. Nunca foste. E eu no fundo sabia. Sabia que não virias, nunca mais. Mas não acreditava. Era, e sou, ingénua.
"O amor acontece quando desistimos de ser perfeitos." Fui perfeita para ti? Não respondas. Se fosse, estarias comigo, aqui, agora. E não estás. A única certeza que tenho é essa. Não estás.
Abdiquei de muita coisa para estar contigo. E no fim, abdiquei de ti. Para ser feliz? Não sei o que isso é. Sem ti não sei.
Já não consigo chorar por não te ter. De alguma forma já me conformei. Que remédio, não?
Será que voltas?
Será que quando voltares eu estarei aqui? Pensas que estarei à tua espera?
Talvez esteja.
Conheces-me.
Sabes que estarei.
Mas não como dantes.
Quando voltares, não serei tua. Não da mesma maneira que fui.
Não vais ter o meu sorriso.
Não vais ter o meu abraço. Aquele que tanto querias.
Fui egoísta para te ter só para mim. E não tive.
Não esperes que esteja de braços abertos quando voltares.
Mudas-te-me. Orgulha-te ao menos disso. Mudaste tudo em mim. Já não há amor dentro de mim. a doçura que dizias eu ter no olhar, perdeu-se. Foi contigo para bem longe.
Quero ver-te sofrer.
Agarrar no coração e deitá-lo para bem longe.
Quero ver-te agoniar.
Desejar nunca ter nascido.
Porque foi assim que me deixaste quando foste embora.
Sem chão. Sem alma. Sem salvação.
De certa forma, levaste-me contigo. Mesmo sem eu querer. Mesmo sem eu saber.
Espero que sejas infeliz.
Que não encontres ninguém como me tinhas a mim. Que ninguém te faça tão feliz como eu fiz.
Espero que definhes sozinho.
Desamparado.
Sem alma, como a mim me deixaste.

P.S. Não voltes.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Foi em Setembro que te perdi.

Já não escrevo há muito tempo. Talvez porque neste intervalo, as palavras não fizessem sentido. Talvez porque não conseguia escrever aquilo que sinto. Fazes-me falta, já te disse? Fazes-me tanta falta.
Encontrei em ti o meu ideal.
Encontrei em ti alguém que eu não fui, nem sou, capaz de ser. És a minha ambição, o meu sonho tornado realidade. Mas, tu, meu pequeno Deus de algibeira, já não queres saber. Não te guardo rancor, mas não entendo, como é que depois de tudo, e o tudo foi pouco, não me queres ver.
Sinto-me abandonada por ti. Sinto-me esquecida. Anseio pelo dia em que vou voltar a ver-te. Olhar para ti mesmo sem te dizer nada.
Eras o meu ideal. Tens noção disso? Não. Tu nunca tiveste noção disso.
Eras mais do aquilo que pensavas. E por ti abdiquei de muitas coisas. Por ti abdiquei de ser feliz. A mágoa que sinto quando penso no que aconteceu, é mais forte do que qualquer sentimento. Apaga todos os outros. Porque sim, a mágoa ainda cá está.
O perdão é irreversível.
Não existe perdão.
Nem eu pretendo que me compreendas.
Será que vale a pena?
Será que tu vales a pena? Pensava que sim. Que irias ficar comigo como tens ficado. Que nos voltaríamos a ver, e tudo seria como dantes. Mas não, agora é como se nunca tivesses existido.
Deixa-me ser egoísta. Deixa-me ter-te só para mim.
Não tenho saudades tuas.
Tenho saudades de ti. Da tua simples companhia. Do teu riso alegre que contagiava o meu. Da tua mão sobre a minha quando querias que te olhasse nos olhos.
Eu olhava. E via-nos aos dois.
Estou só. Porque me quiseste assim. Porque me deixaste. Porque eras a minha companhia.
Anseio voltar a ver-te, para que me tires desta solidão, destas cordas que prendem ao que tu não és. Não és meu.
Tenho duas almas em guerra por ti, e nenhuma vai ganhar, porque tu não vens.
Volta. Tens alguém contigo que te dá a merecida atenção, o merecido descanso, mas eu também preciso de ti.
Disseste que iria ter uma surpresa. Foi esta a surpresa que me quiseste dar? Estar longe de mim?
Eu sabia que iria ser assim. Porque eu no fundo conheço-te.
Sabia que a minha alma egoísta não me levaria a ti, e me tiraria de ti. Mas também acreditava em algo melhor. Acreditava em ti. Confiava em nós.
Fizeste de mim uma pessoa a quem podias contar sentimentos e depois fugir. Mas também fizeste de mim uma pessoa melhor. Estiveste comigo quando precisei, e mesmo quando não precisei.
Hoje acordei e não estavas a meu lado. Mas alguma vez foste meu? Alguma vez me pertenceste por inteiro?
Hoje acordei e não estavas a meu lado. Cada vez me convenço mais que não foste, não és real.
Cada vez me convenço mais que não voltarás a estar comigo. Que tudo não passou de uma fantasia, tua e minha. Fizeste-me acreditar que me irias incluir no teu mundo, que quando mais precisasse de ti, tu irias lá estar. De braços abertos e de sorriso no rosto.
Que não irias ser todo meu.
Mas que metade de mim te iria pertencer.
Prometeste que irias lá estar. Mas alguma vez estiveste mesmo?
Oh Deus, quem me dera voltar atrás. Voltar a sentir-te perto de mim. Mas não. O tempo é o aqui e agora.
Não és meu.
Não foste meu.
Não serás meu.
Perdoar não é esquecer. E eu vou esquecer-te. Mas não me peças para te perdoar. Quanto mais te escrevo, mais a dor da tua ausência se acentua.
Fica.
Não partas agora.
Demorei tanto tempo a aprender gostar de ti. Cada dia que passei a teu lado, foi um momento único, e só meu.
Lembras-te de mim? Certamente que não. Já passou mais de um ano.
Fica, amor.

Era o que eu mais queria.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Fim

Fazes parte de mim. Estás em mim quando escrevo, quando ando por aí, estás em mim quando penso em ti. Tiraram-me de ti. Arrancaram-me de ti por pensarem que não era capaz de te fazer sonhador. Queria puder ver-te mais uma vez. Dizer-te tudo aquilo que não te consegui dizer. Talvez falasse através dos beijos. Talvez não te quisesse dizer mesmo nada. Sabes que começo a esquecer o som do teu riso? O meu coração está em silêncio desde o dia em que partiste. Que estupidez! O que é que me faz estar aqui ainda, quando o que mais quero é DESAPARECER! Volta. Fala. Discute comigo para ao menos recordar a tua vez, ainda que digas coisas que mereço ouvir. Eu sou o tempo; sou nada, o nada veloz e imóvel que molda o corpo do tempo. Deixar de ser é ainda acatar as regras implacáveis do ser. Estou esgotado de correr contra a dor, contra a memória, contra a infância, contra o amor e o ódio. Não há paz no instante, e eu vivo de instante para instante.

Ensina-me uma dor que não passe, ensina-me a sofrer. Ensina-me uma dor que não passe, que possa fulgir no sulco das lágrimas quando as lágrimas tiverem secado, que possa deixar um lastro sobre a mesa em que a minha cabeça pousou, desesperada.

Tudo isto é o fim.