Obrigada.
Deste-me uma parte de ti.
A melhor de ti, dizias.
Já fui feliz, e já amei demasiado.
Mas depois, descobri que o amor magoava.
Ainda não encontrei quem me desse provas do contrário, e nem eu tento encontrá-las.
Mas nunca implorei amor.
Foste a minha minha melhor maneira de viver e soube estar ao teu lado, mesmo sabendo que não era para ser, mesmo sabendo que, por vezes, poderia doer.
Mas nunca implorei amor.
Tivemos guerras em que nunca ganhei.
Guerras em que era sempre eu quem queria lutar e em que tu clamavas por paz, a paz que eu te prometi e que nunca te dei.
E, sempre, recuavas. Mais uma vez. Mais de uma vez.
Desculpa se implorei demasiadas vezes por ti. Não sabia que estava a travar uma guerra perdida desde o início.
Entre mortos e feridos sobrevivemos sempre.
Obrigada por cuidares de mim, tratares de mim, olhares por mim, e para mim.
Obrigada por teres estado ao meu lado, sempre. Mesmo quando o que mais queria era apenas solidão e silêncio.
Obrigada por não me teres deixado cair. Nunca.
Nunca implorei amor, e obrigada por me teres feito feliz como ainda fazes.
Há que lutar.
Contra tudo.
Saber que estamos vencidos e, apesar disso, avançar, irremediavelmente, até ao fim. Isso é coragem.
A que já tive. E a que continuo a ter.
Porque todos os dias há uma coisa nova para aprender.
Como a saber viver, por exemplo.
E todos os dias a vida ensina alguma coisa.
A ser feliz.
Ensinaste-me a viver e a querer viver.
Ensinaste-me a sorrir, de novo, e depois de tanto tempo.
Mas nunca implorei amor.
Nunca implorei o teu amor.
Porque fazes-me bem e também eu quero fazer-te bem.
E é apenas isso que interessa.
Quero continuar a ter-te ao meu lado e, enquanto me quiseres, andarei por perto, mas apenas se ambos quisermos.
Só serei felizse tu também fores.
E, depois, o abraço.
Aquele abraço.
Quantas vidas são necessárias para te encontrar outra vez?
Obrigada.
domingo, 31 de maio de 2015
domingo, 24 de maio de 2015
Se regressares, traz-me contigo
Partiste há demasiado tempo, e o tempo é meu inimigo.
Já é demasiado o tempo sem ti.
Naquela noite, levaste-me contigo, para bem longe, de mim, e
de ti.
Porque disseste que sim, que era melhor assim, que era dessa maneira que tinha de acontecer.
Pedi-te para ficares.
Nunca disseste que não voltarias.
Nunca disseste nunca.
Porque disseste que sim, que era melhor assim, que era dessa maneira que tinha de acontecer.
Pedi-te para ficares.
Nunca disseste que não voltarias.
Nunca disseste nunca.
Inventaste mil e uma razões para não me magoar. E fizeste-me prometer, centenas de vezes, que não te esquecesse.
Teimam em dizer-me que desapareceste, mas continuo a ver-te todos os dias.
Teimam em dizer-me que desapareceste, mas continuo a ver-te todos os dias.
Porque assim tem de ser. Quero-te em mim, na minha memória,
dentro da minha cabeça.
Não quero pensar que um dia já não és.
Não quero pensar que um dia já não és.
Quero pensar que
já foste.
Meu.
Fizeste-me prometer que não te esquecesse.
É difícil lutar contra a memória. Contra algo que sei que estará esquecido.
Tem sido difícil reviver-te em mim.
Recordar-te em mim.
E tu, já não te lembras?
Quero acreditar que fomos felizes, que dei a conhecer-te a minha felicidade contigo, e que a partilhamos os dois.
Fizeste-me prometer que não te esquecesse.
É difícil lutar contra a memória. Contra algo que sei que estará esquecido.
Tem sido difícil reviver-te em mim.
Recordar-te em mim.
E tu, já não te lembras?
Quero acreditar que fomos felizes, que dei a conhecer-te a minha felicidade contigo, e que a partilhamos os dois.
Quero acreditar que não saímos disto magoados, que dissemos palavras que não queríamos dizer.
Quero, apenas, acreditar.
Em nós.
Quero, apenas, acreditar.
Em nós.
Tem custado tanto aguentar-me sem ti.
E tem custado ainda mais, saber-te em cada espaço de tempo que percorro, à procura não sei bem do quê.
Talvez de ti.
Tens custado cada pedaço de saudade que sinto, e cada lágrima que cai.
Cai, não sei bem porquê.
Talvez por nós.
Entraste sem pedir licença. Assim, de surpresa.
Porque é que quando partiste, não me perguntaste se eu deixava que fosses embora?
Por isso não me deixaste nunca prender-te nos meus braços.
Sabia, sabias, que iria ser mais difícil lutares e perderes.
E que, dessa vez, iria eu ganhar.
Não mereço o teu calor.
Não mereço a saudade do teu calor, o toque da tua pele, a tua memória nas minhas mãos, a lembrança do beijo, o roçar dos teus lábios pelo meu pescoço.
Não te mereço.
Não mereço a saudade do teu calor, o toque da tua pele, a tua memória nas minhas mãos, a lembrança do beijo, o roçar dos teus lábios pelo meu pescoço.
Não te mereço.
Mas porque não voltas, e recomeçamos?
Como da outra vez.
É suposto reinventar o amor.
É suposto querer viver, para reinventar.
Se regressares, traz-me contigo.
terça-feira, 12 de maio de 2015
Desta vez, vem de ti
Silêncio.
Pela primeira vez, silêncio.
E, desta vez, vem de ti.
Já estive mais longe de apagar as palavras, e terminar com
isto. Mas seria justo para ti? Seria eu justa contigo?
Não queria magoar-te, e desculpa se o fiz.
Pensei que a ausência e a saudade ensinassem algo. Pelo menos,
que ensinassem a não sentir. Mas enganei-me.
Sinto-te em silêncio há demasiado tempo.
Porque não há mais do que silêncio.
E não era suposto haver. Era?
E, desta vez, vem de ti.
Sinto que estás longe, distante, ausente. Chama-lhe o que
quiseres. E a culpa é minha.
Quis que encontrasses nas minhas palavras afeto e
compreensão. Paz.
Quis mostrar-te que eu também estou aqui, à distância de um
abraço, e que bastaria uma mensagem e eu iria a correr.
Quis mostrar-te que gosto de ti. Que apenas gosto de ti, e
que o resto não é importante. Que o resto não existe.
Quis, sobretudo, mostrar-te que é a amizade que nos une, e
que jamais passará disso. Quis mostrar-te que confio em ti. E mostrei-te isso,
naquele dia, quando disse que te queria tanto.
Desculpa querer-te.
Pensei que gostasses de ouvir.
Pensei que preferisses a verdade.
Desculpa querer-te.
Pensei que gostasses de ouvir.
Pensei que preferisses a verdade.
Sabes que és uma das pessoas da minha vida que eu mais
admiro? É verdade.
Sabes que tenho poucas pessoas. Dizem que apenas devemos
guardar as que querem permanecer, as que estão presentes nos dias bons e nos dias
maus, e que devemos deixar ir as que não querem ficar.
Mas tu quiseste ficar.
E permaneces.
E permaneces.
E eu gosto tanto de ter-te perto.
Pensei que também gostasses.
Pensei que também gostasses.
Admiro-te.
Tens ganas de viver.
A vida, que é uma tourada, não a deixas escapar.
Todos os dias fazes uma pega de caras. Uns dias tens aplausos, outros dias, dás o suor e as lágrimas por ela. Mas fazes com que compense sempre.
E, no dia seguinte, lá estás tu de novo. Pronto a enfrentar a fera.
A vida, que é uma tourada, não a deixas escapar.
Todos os dias fazes uma pega de caras. Uns dias tens aplausos, outros dias, dás o suor e as lágrimas por ela. Mas fazes com que compense sempre.
E, no dia seguinte, lá estás tu de novo. Pronto a enfrentar a fera.
Ensina-me a viver
assim.
Mas as coisas não estão bem.
Tu já não me perguntas se estou bem.
Estou a exagerar, ou estás de facto, ausente de mim?
Não quis, nem quero, magoar-te, pressionar-te, exigir de ti
algo que não existe, obcecar-me por ti.
Não quis assustar-te.
São palavras que entre nós não existem, porque prometemos um
ao outro que não iriam rondar entre nós.
Sei que estás cansado. Mas porque não vens até mim e
descansas? Ou nunca fui a tua paz?
Eu não me importo do silêncio, tu sabes.
Não me importo desde que estejas comigo. Mas não estás.
E, desta vez, vem de ti.
Tenho saudades tuas, e apetece-me ver-te.
Acho que vou terminar com as palavras, com tudo isto. Já não
é relevante, pois não?
Acabou-se a magia, a sintonia, e o desejo.
Resta o silêncio.
E a saudade de novo.
E, desta vez, vem de ti.
Mas porque é que tem de doer tanto? Se uma pessoa nos faz
tão feliz, como tu, é tão importante para nós, como tu, e dói tanto, porque é
que sentimos saudades? Não devia ser ao contrário?
Tenho saudades tuas. E os dias em que também disseste que
tinhas, estão tão longe.
Mas se quiseres que me afaste, caramba, vai custar, mas diz.
Se for preciso, que as palavras magoem, certo?
Não quero assustar-te com as minhas palavras.
Quando leres isto, acorda-me de novo.
Acorda-me e acaba com o silêncio.
Que, desta vez, vem de ti.
sábado, 9 de maio de 2015
Diz-me o que é então
Quando leres estas palavras já, certamente, leste todas as outras que escrevi para ti e, certamente, chegaste à mesma conclusão que eu. Que falta muito para dizer.
Quando leres estas palavras já terá passado pela minha cabeça em fazer mil e uma coisas para acabar com elas porque as palavras não chegam até ti.
As minhas palavras não te trazem até mim.
Desde aquele dia que não durmo.
Vivo de instante para instante, e tudo me é estranho.
Tudo, menos tu.
Desde aquele dia que as lágrimas caiem.
Se não é amor e ambos sabemos que não é, diz-me o que é então.
Desde aquele dia, e tu sabes que dia é, que te trago gravado na pele e na memória das minhas mãos. Sobretudo quando pousaram no teu peito nu e mostraram que eu te queria tanto. Que te quero tanto.
Foste a única pessoa que ouviu e diz-me, por favor, que gostaste tanto de o ouvir como eu de o dizer.
Há dias que nos mudam e esse foi um deles.
Mas não mudou muito.
Apenas fiquei mais tua se já antes não o era.
Se não é amor, diz-me o que é então.
Sinto-te gravado em mim.
Desde aquele dia que te trago gravado em mim.
Aquela cama perde toda a graça quando lá não estamos os dois, a pedir o que desejas, e a suspirar pelo que desejamos os dois.
Diz-me o que é então.
Ou então diz-me, simplesmente, que também tu não sabes o que é.
Gosto da tua pele. Do teu cheiro. Do teu abraço forte e sincero. Do teu peito, onde me refugio, dos outros, às vezes de ti, e demasiadas vezes de mim mesma.
Não tenho o Mundo a sorrir, nem alguém à minha espera de braços abertos, para voltar a esconder-me.
Porque quando saio da tua beira, é como se nunca saísse da tua beira, e nunca chegasse a ir embora.
Quero sentir de novo que te quero, como da última vez em que nos vimos.
Quero puder dizer que te quero, sem ter medo de o revelar, sem ter medo de o engolir em silêncio, algures entre um beijo e outro.
Quero puder dizer que te quero, sem que a palavra se perca entre beijos que não a sentem.
Porque eu não tenho ninguém para quem regressar.Não tenho o Mundo a sorrir, nem alguém à minha espera de braços abertos, para voltar a esconder-me.
Porque quando saio da tua beira, é como se nunca saísse da tua beira, e nunca chegasse a ir embora.
Li no outro dia que há três espécies de mulher.
A que se admira.
A que se deseja.
E a que se ama.
E li também, que pode admirar-se uma mulher sem a desejar, e desejar uma mulher sem a amar.
Há uma pergunta óbvia. E tu sabes qual é.
Não quero ter uma coragem infinita, e tentar lutar por uma guerra perdida.
Nem quero pensar, daqui a dez anos, que não era para ser.
Mas, se não é amor, e ambos sabemos que não é, diz-me o que é então.
domingo, 3 de maio de 2015
Memória
Estás longe.
E já são muitos os Invernos em que estás em silêncio e os Outonos em que não vens até mim.
Não pensei que doesse.
Foram tantos os dias em que fomos felizes.
Lembras-te deles? Lembras-te dos dias em que não havia ausência, dos dias em que éramos verdade e não havia saudade?
Lembras-te de sermos felizes?
Ainda somos?
Se um dia leres estas palavras, vem ter comigo e pede-me um abraço.
Mas não estranhes as lágrimas.
Não estranhes a dor. Ela fala de ti. Do que fomos. Fala dos momentos em que rimos, e em que chorámos. Fala da saudade e da esperança de te reencontrar.
Já só és memória em mim.
Memória.
Sempre a maldita da memória.
Ainda sinto nas minhas mãos o suave toque e o calor da tua pele.
Ainda sinto o aroma do teu perfume que a chuva que cai não apaga e que permanece em mim, entranhado na pele.
Ainda te sinto em mim.
Se te apagasse de mim seria mais feliz?
Se te apagasse de mim serias mais feliz?
Já contei as horas e os minutos, os dias, e os intervalos de tempo para te ver.
E depois desisti.
Porque o tempo disse-me que não voltarias.
Sempre o maldito do tempo.
Também já te procurei em toda a parte.
E nunca te encontrei em lugar nenhum. Sempre vazio, ausência.
Sempre a maldita da ausência.
E depois quero lembrar-me de ti e não consigo.
Não vens até mim.
E depois acontece o que mais temia.
A maldita memória já não permanece.
O maldito tempo já não pára.
Mas a maldita ausência continua.
Algum dia deixarás de o ser?
Quando foste embora levaste-me contigo.
Porque foste embora e já não voltas.
Levaste-me contigo no teu abraço, perdeste-me na saudade e na distância, prometendo que um dia havias de voltar.
Mas esse dia não chega.
O que o tempo leva, o tempo devolve.
O tempo traz verdade.
Mas não te trouxe.
E a chuva continua a cair sobre mim.
sábado, 2 de maio de 2015
O que mais custa
Estou aqui.
Como nunca estive. Como tantas vezes pediste e nunca
estive.
Perdoa-me por isso. Por ter estado ausente quando o que mais queria era estar contigo. Quando o que mais queria era estar junto a ti.
Confia em mim.
De novo.
Perdoa-me por isso. Por ter estado ausente quando o que mais queria era estar contigo. Quando o que mais queria era estar junto a ti.
Confia em mim.
De novo.
Se algum dia o teu Mundo desabar mas, por favor que nunca
isso aconteça, chama-me.
Irei ter contigo onde estiveres, onde quiseres.
Irei ter contigo onde estiveres, onde quiseres.
Eu tentarei salvar-te.
Tentarei salvar-nos.
Para que não sejas sempre tu.
Para que não sejas sempre tu.
Se algum dia quiseres falar, fala. Peço-te as palavras
todas. Se for preciso, que as palavras magoem. Mas que nunca fique nada por
dizer.
E se quiseres silêncio, pede.
Se quiseres silêncio, basta o
abraço. Aquele abraço.
Desta vez, é diferente. Quero que descanses em mim.
O meu minuto diário deixou de fazer sentido quando percebi que também tu precisavas dele. Precisas dele.
Tens em mim todas as horas.
Tens em mim o teu tempo.
O meu minuto diário deixou de fazer sentido quando percebi que também tu precisavas dele. Precisas dele.
Tens em mim todas as horas.
Tens em mim o teu tempo.
O que mais custa é não saber de ti.
O que mais custa é não conseguir dar-te a paz que precisas.
Porque enquanto me quiseres irei eu ter contigo.
E o que mais custa é não saber se ainda me queres.
Responde quando nos virmos.
Responde quando nos virmos.
Foram tantos os dias em que te pedi silêncio como aqueles
em que te calei com um beijo.
Foram tantos os dias em que dissemos tudo. E foram mais
aqueles em que ficou tudo por dizer.
Por favor, que nunca nos faltem as palavras.
Por favor, que nunca nos faltem as palavras.
Podes vir por um abraço.
Sem tempo, sem pressa.
Podes vir apenas pelo silêncio.
Podes vir apenas porque sim.
Sem tempo, sem pressa.
Podes vir apenas pelo silêncio.
Podes vir apenas porque sim.
Porque as pessoas especiais são aquelas que vêem dor onde os
outros vêem apenas um sorriso.
Que não haja dor.
Mas se tiver que ser, se tiver que existir dor, que a tua seja a minha. E se existir mágoa, que seja partilhada comigo.
Não te preocupes comigo. Ficarei bem.
Mas não te quero sozinho.
Que não haja dor.
Mas se tiver que ser, se tiver que existir dor, que a tua seja a minha. E se existir mágoa, que seja partilhada comigo.
Não te preocupes comigo. Ficarei bem.
Mas não te quero sozinho.
Quando estiver contigo e pedir-te para falar, não me
afastes. Quero-te bem.
Quero o teu sorriso e o calor da tua companhia. Quero que
estejas bem.
Estou à distância de um abraço.
Chega sem aviso prévio.
E quando chegares,
aconchega-te em mim.
Fala-me de ti. Das tuas loucuras, dos teus excessos. Fala-me
da distância, da solidão.
Falemos disto tudo.
Falemos disto tudo.
De ti.
De mim.
E se ao leres estas palavras não vieres ter comigo e pedir-me um abraço fica sabendo, que irei eu ter contigo.
Porque sei que estarás cansado, que a tua vida estará virada do avesso.
E ainda que não me queiras, irei eu ter contigo. Não precisas de me dizer. Sei que irás precisar de mim.
Porque sei que estarás cansado, que a tua vida estará virada do avesso.
E ainda que não me queiras, irei eu ter contigo. Não precisas de me dizer. Sei que irás precisar de mim.
Já te disse que me fazes falta?
Fazes-me falta.
Vem, e traz a saudade.
Tens em mim o teu espaço.
domingo, 26 de abril de 2015
Se for preciso, mente-me
Se um dia disser que te amo, tanto como noutro dia qualquer,
mente-me.
Se numa loucura, na tua cama, no meio dos teus lençóis,
entre as quatro paredes do teu quarto, tiver um momento de lucidez e disser que
te amo, não pares.
Porque quanto mais me iludes mais eu te adoro, e peço-te
para não fugires.
Se um dia quiseres falar disso, falemos.
Volta e fica comigo. Adormece-me de novo. Afasta os
pesadelos e os fantasmas que nos atormentam. Porque só tu me acalmas. Só tu
trazes a paz que preciso. Serás sempre o meu porto de abrigo.
Se for preciso, mente-me.
Que nunca fiquem abraços por dar, promessas por cumprir.
Que nunca fiquem momentos por partilhar.
Que nunca te faltem as palavras. Por favor, que nunca te
faltem as palavras.
Se for preciso, mente-me.
Tenho os meus braços à volta do meu corpo porque não estás
comigo e sinto a tua falta. Sinto falta do teu toque. É incrível como sinto a
tua falta. O meu corpo habituou-se a ti.
E se não estás comigo, não estás em mim.
E se não estás em mim, não estou contigo.
Se for preciso, falemos da ausência, da distância, da
saudade. Fala comigo.
Quando eu quiser falar de nós, diz-me que estamos bem. Mas
não mintas. Sobre isto, não mintas.
Quando eu quiser falar do passado, diz-me que tudo ficará
bem, que não vais deixar a dor voltar e a mágoa renascer.
Quando eu quiser falar do passado, cala-me com um beijo.
Pede-me para parar e diz-me que vou ser feliz.
Quando eu quiser chorar, encosta-me a ti, e deixa as
lágrimas caírem. Se algum dia molhar a tua camisa, perdoa-me. Mas não olhes
para mim.
Não quero que a minha dor seja a tua dor. Quero que a tires
de mim. Que a arranques de mim, da raiz como a uma erva daninha, pois só assim não
voltará a nascer.
Fazes-me falta.
Mas a vida não é mais do que essa sucessão de faltas que nos animam.
Porque depois da liberdade, a esperança.
Será que ainda me resta tempo contigo?
sábado, 25 de abril de 2015
A ti
Quero dizer-te tanta coisa mas acabo por nunca dizer nada.
Provavelmente não te conheço assim tão bem quanto penso, mas sentir que és uma parte de mim, por mais pequena que
seja, é o que me basta para tentar encontrar-te em todas as esquinas em que não
nos cruzámos.
Deixa-me conhecer-te por completo no teu perfeito total.
Deixas?
Temos frases só nossas, momentos só nossos que são capazes de marcar, como a mim marcaram e continuam a marcar.
Temos olhares só nossos que bastam para tranquilizar.
Quando o Mundo lá fora está de pernas para o ar.
Quando a vida dá tantas voltas e só tu percebes.
Também podes encostar-te a mim sempre que quiseres, olhar para mim e pedir-me um abraço, olhar para mim e pedir silêncio.
Como se me faltasse o ar quando não te tenho e me faltasse ainda mais quando te tenho, lembras-te?
Gosto de olhar para ti.
Porque dizem que os olhos são o espelho da alma, e não sabes
quão bela é a tua.
Porque a minha está carregada de momentos, palavras e horas
que existiram. Em mim e em ti.
Daqui a dez anos continuarás a ser o fantasma mais presente
na minha vida e, se não estiveres onde estou, não sei porque irei ver-te sempre
em mim. Porque sei que irei ver-te sempre. Sei que estarás sempre.
Daqui a dez anos o meu lado lunático virá ao de cima sempre
que me lembrar do que não passámos e das noites que dormi sem ti.
Daqui a dez anos vou lembrar-me de nós. E vou sorrir.
Tantas vezes chego a casa sozinha e procuro-te em cada
canto. Não tenho medo dos barulhos cá de casa, mas a casa sabe a tua voz. E
ecoa-a em todo o lado.
Já te disse hoje que foste a pessoa por quem eu mais suspirei e nunca estivemos juntos? E quem diz suspirar diz prazer, e quem diz prazer diz... tu sabes.
Daqui a dez anos vou lembrar-me disto. Daqui a dez anos, vais lembrar-me disto.
Alimentava-te a alma.
Podia pedir-te desculpa. Dizer-te, olha, desculpa, aconteceu.
E podia dizer-te que preferia ter-te encontrado há cinco anos atrás. Para quê?
Não seria como é agora. Porque não temos nada, mas temos tudo, lembras-te?
Ninguém manda no coração mas gostava que mandasses no meu.
Ninguém é perfeito, mas eu gostava de ser. Para ti.
Não era suposto falar de ausência. É difícil. Tu sabes.
Mas já pensei nisso quando estivemos juntos.
Porque, de que me adianta pousar os meus lábios nos teus e beijar-te, abraçar-te e preencher-te a alma, se não posso ter o teu coração?
Porque és tu o amor. E se não houver tu mais vale haver apenas eu. Afinal de contas, antes passar a minha vida a apenas sonhar que sou tua, que passar a minha vida a fingir que sou de outra pessoa.
Não era suposto falar de ausência contigo. Tu que me
preenches. Que apagas a dor e renovas a esperança. Isso basta.
Basta-me olhar para ti e fechar as tuas pálpebras com a minha mão, chega-me olhar para ti e passar os meus dedos pelos teus lábios, chega-me a tua presença, chega-me olhar para ti e adivinhar o que estás a pensar.
Não preciso sequer que fales.
Perdoa-me as vezes que te ignorei, que fui orgulhosa, e que quis fugir de ti.
Perdoa-me as vezes em que me escondi de ti. As vezes que te magoei, em que fui egoísta, em que precisaste de mim e eu não estive lá. Em que nunca estive.
Gostava que me mentisses. Que por uma vez me dissesses que sim, que o passado é passado e já não volta.
Tenho duas almas em guerra por ti, e não sei qual ganhará.
Já tivemos dias como o de hoje. De tempestade.
Já saí do teu carro zangada, bati a porta com força, e jurei que nunca mais iria falar contigo.
Mas também já pensei que não querias ver-me e estar comigo.
Mas estiveste.
E eu voltei a falar.
Amar é permitir que nos magoem, lembras-te?
Espero que um dia possas perdoar-me.
Espero que um dia falemos disto.
O amor não é complicado.
As pessoas é que são.
"Pessoas que nos mimam em silêncio, que nos dão um abraço onde cabe o Mundo inteiro", lembras-te?
Porque hoje é o dia da Liberdade.
A ti.
Obrigada.
segunda-feira, 6 de abril de 2015
E se um dia acordar?
Fazes-me falta, de novo.
E disseste, da última vez que falamos, que também sentias a minha falta.
Saí de casa, e não falei de ti. Porque tive medo de ouvir que não era bom sentir saudades tuas. Tive medo de ouvir, mais uma vez, que o melhor era virar a página. Mas será que ninguém percebe que é isso, precisamente, o que eu não quero? Que não quero apagar-te de mim, que te quero gravar em mim? Porque foste o melhor que me aconteceu. Foste até hoje, o melhor de mim.
Tenho medo de esquecer-te.
E sei que isso, é talvez, o mais provável de acontecer.
E se um dia acordar, e souber que não voltarás?
Depositei em ti tudo o que quis ser.
Sabia que podia contar contigo. No momento certo, e seria capaz de marcar. Como marcou.
Como naquele dia, no banco de jardim, o sol brilhava e os teus olhos também. Era Verão, e cheirava a mar. Falámos de nós. Disse-te que queria estar sozinha. Não percebeste que não era longe de ti, mas sozinha, contigo? Que estarias sempre em mim, acontecesse o que acontecesse.
Estávamos bem. Éramos felizes, lembras-te?
E se um dia acordar, e souber que não voltarás?
E se perder tudo aquilo que tivemos?
E se perder a sensação de te ter de novo? De, simplesmente, voltar para os teus braços, fechar os olhos e pensar
que agora está tudo bem.
Uma
carícia no rosto, um beijo sobre as lágrimas que caiem, quando algo vai mal.
Faltar o
ar quando não se tem, e faltar ainda mais quando se tem.
A saudade
que dá, aquele aperto no coração longe de quem se gosta. É no início da semana
pensar, que nunca mais vem o fim para te ver.
Disseste que ajudava a suportar os teus dias de tempestade.
Quando te vir, vou perguntar-te, porque transformaste os meus numa?
Mais de que
um gesto, talvez a palavra defina melhor o Homem.
E, por
vezes, não é o excesso de palavras que magoa.
Mas a falta
delas.
Volta, e traz todas as palavras que tens para dizer. Traz o abraço que tanto preciso, e a saudade que disseste que tinhas.
Estarei sempre aqui, à tua espera, para te ouvir.
terça-feira, 31 de março de 2015
O super-homem
Chegas a casa cansado.
Tiras a máscara, e o fato, que envergas todos os dias e todas as noites, pronto a enfrentar o Mundo.
Estás em frente ao espelho e olhas para aquilo que vês.
Um rosto depois de um dia longo.
As rugas, de uma vida cheia, a barba por fazer que anuncia um amor antigo, ainda não ultrapassado.
Os cabelos brancos lembram-te as Primaveras passadas, e os Invernos em que dormiste ao lado da pessoa que amavas.
Sorris.
És tu de novo.
Carregas o peso do Mundo aos teus ombros, e ainda assim, enfrentas o dia e a noite com um sorriso no rosto, e uma expressão bem disposta. Sem pressas, sem tempo, sem saberes bem porquê.
És super amigo, super colega, super pai.
Salvas tudo e todos, porque também já me salvaste a mim, mas esqueces-te que também tu precisas de ser salvo. Porque também há quem queira cuidar de ti.
Novamente, noite.
Ainda não entraste em casa, estás a um passo de abrir a porta, e há alguém a chamar por ti.
Voa super-homem, voa.
O Mundo precisa de ti.
sexta-feira, 27 de março de 2015
O outro lado da saudade
Passaram dois anos e sete meses.
Valeu a pena?
Não vou perguntar se és feliz. Sei que fomos, e isso basta.
Lembro-me do dia em que apareceste de novo, depois de uma ausência prolongada. Chovia torrencialmente, eu sem guarda-chuva, e tu também, porque nunca precisaste dele, e tu vieste ter comigo no meio da avenida. Foi aí que percebei que, jamais, irias deixar-me. Que voltarias sempre. Voltarás?
No outro dia estava com alguém especial. É engraçado como a vida dá tantas voltas. Ele apareceu quando tu te foste embora. Ninguém é substituível. Mas de certa forma, preencheu um certo vazio que a tua partida deixou. Mas há um lugar que ele não ocupará. Esse pertence-te, ainda que não volte a ver-te. Não me completa, porque faltas tu. Faltas sempre tu.
Também estivemos afastados durante algum tempo. Eu decidi afastar-me. Já sabes como sou. Não consigo estar muito tempo no mesmo sítio.
Perguntou-me se tive saudades. Estranhou eu estar fria, ausente. Disse-lhe que sim, que tinha tido. A saudade dói. E tive que, por ti, aprender a não ter. Disse-lhe que tive que aprender a não ter.
Tretas. Quanto mais o tempo passa, mais a saudade aumenta. É a única lembrança que me resta de ti. É a única coisa que fica depois de alguém partir.
Temos uma amiga em comum, e um dia destes vou ter com ela. É a única coisa que me liga a ti. Todas as vezes pergunta-lho se estás bem. E não sabes como dói perguntar. Mas tenho que o fazer. Para saber que ainda existes.
Da próxima vez pergunto-lhe se é mau sentir saudades tuas. Às vezes sinto que é. Devia virar a página, como tantas vezes ela disse para fazer. E viro, mas continuas lá, na página seguinte.
E o mais engraçado no meio disto tudo, é que vives a cinco minutos de mim. Passamos sempre pelos mesmos sítios, vemos sempre as mesmas coisas, pisamos vezes sem conta o mesmo chão. E sinto, sempre que o faço, que estás ao meu lado.
O mais engraçado é que todos os anos, e já lá vão dois, continuas a desejar-me Feliz Natal. E a esperar sempre, que o ano que aí vem seja melhor que o anterior. Não sabes que seria se tu ainda estivesses em mim?
Espero um dia encontrar-te, e mostrar-te o que escrevo.
Foste a única pessoa que disse que gostava do que escrevia e pedia para o fazer mais vezes.
E continuas a ser.
Vais ver, um dia havemos de estar sentados num café, a conversar sobre a ausência e a rirmos disto tudo.
Vais ver.
Será como se nunca tivesse passado um único dia sem nos vermos.
domingo, 8 de fevereiro de 2015
Vive intensamente
Nunca recuses um beijo roubado. Oferece-o, para que te saiba ainda melhor.
Nunca recuses um abraço apertado. Preenche os espaços vazios, e aproveita todos os intervalos.
Ama como noutro dia qualquer. Cultiva o interesse e o desejo, preserva os sentimentos.
Diz que gostas de alguém só pelo prazer de ver o brilho nos olhos da pessoa que está à tua frente. Diz que gostas de alguém sempre que ele quiser.
Pergunta se "estás bem", quantas vezes quiseres, sempre que quiseres. É por perguntar se "estás bem" que cuidas, proteges e amas.
Agradece o amor que te dão, aceita o ódio e a culpa.
Aceita o defeito, o erro e a queda.
Aceita o improvável, o desafio, e o que ainda está para vir.
Aceita o mal que te fazem, porque te tornam ainda mais forte.
Sê como és.
Inteira.
Aceita o colo e o carinho. Não sejas egoísta, e aceita que precisas de alguém, e que todos precisam de ti.
Retribui tudo o que te dão. Em gestos e em palavras.
Não olhes só para ti, e agradece que alguém esteja ao teu lado a torcer para que tudo fique bem.
Beija sempre que quiseres, e beija ainda mais quando o outro quer. Nos momentos maus e nos momentos bons, para que estes fiquem ainda melhores.
Saboreia os lábios do desejo, e a pele na tua pele. Continua quando te faltar o ar.
Não tenhas vergonha e pede um abraço.
Oferece o teu ombro, e faz alguém feliz. Descansa naquele que te faz ainda mais feliz.
Volta a agradecer o bem que te fazem.
Vive intensamente como se cada instante fosse o último. Olha para trás, e agradece o bem que te fizeram.
Agradece estares viva, e por o Mundo à tua volta estar a sorrir.
Ri com alegria.
Chora com vontade.
Sonha com o impossível.
O Mundo pertence a quem se atreve.
E a vida é muito para ser insignificante.
Insiste. Persiste. E nunca desistas.
Um dia, conquistas.
domingo, 1 de fevereiro de 2015
E a magia acontecia
O final de tarde à
sombra de um candeeiro de rua, sozinho, a lançar uma luz que protege os mais
audazes. Um abraço apertado, e uma mão atrevida que repousa onde não podia, mas
devia. Uma carícia suave num rosto frágil, em que os olhos vêm para além de ti,
e os lábios aguardam o beijo há muito anunciado. A conversa vai encurtando o
espaço entre nós, que já é tão pequeno. O luar encontra-nos na noite, e alcança
o teu rosto, desenhando-o sobre as minhas mãos.
Poderia ter sido no
elevador.
São só três andares.
Talvez encostasse a
cabeça ao teu peito, e te pedisse para me levares dali para fora. Aproveitava
todos os intervalos entre nós.
São só três andares.
Mas porque é que o
edifício tem cinco e não trabalhamos no último?
Às vezes o tempo pára,
e eu páro com ele.
Olho para a cadeira,
que um dia foi tua, e tenho saudades dos dias em que aparecias à porta com um
sorriso no rosto, e o peso do mundo nos teus ombros.
Dos dias em que me
pedias que te levasse um beijo, em que me admiravas, quando estava concentrada,
levantava a cabeça e sorria para ti.
Lembro-me do dia em que
te conheci. Trazias no rosto uma mensagem de esperança, e anunciavas que tudo
iria ficar bem.
Lembro-me das
conversas. Em que podia ficar a ouvir-te, sem dar pelo tempo a pensar. Em que o
tempo era nosso.
E a magia acontecia.
Em que olhava para ti,
e não acreditava que estavas ali, tão perto, à distância de um toque.
Foram mais os dias em
que precisei de ti, do que aqueles em que te tive.
Descobri há pouco que
me podias ter feito feliz, e que fizeste feliz.
Prometeste que me irias
dar o mundo se fosse preciso, só para me teres contigo.
E deste. O mais
engraçado é que deste.
Fui de extremos
contigo. Tive o melhor dia da minha vida contigo, e tive o pior. A tua
ausência, de mim. Sentir que não te tinha, mas que já te tive.
Aprendi que o pior não
é ter. É já ter tido.
sábado, 27 de dezembro de 2014
Como o mar calmo depois da tempestade
Estás sozinha.
Chegas a casa, e depositas os teus restos mortais na cama. Sabe bem.
Acendes o cigarro, prometes que é o último, e começas a sentir as lágrimas a escorrer pelo teu rosto. Sentes o frio, da noite fria, na tua pele fria. Tens a janela aberta, a lua a abraçar-te, o vento na cortina, e não te importas.
Sentes a almofada molhada das lágrimas que deitas, e tens a certeza que a noite vai ser longa, que o sono não virá, e que não é um pesadelo aquilo que vives.
Relembras cada palavra, cada gesto, cada erro que deste e voltarias a dar.
Relembras cada abraço e cada beijo. Cada toque e cada sorriso que houve, e que não haverá mais. E não entendes. Não te reconheces. Não és tu.
Foste feliz, admite.
Deixa de ser orgulhosa, e admite que há alguém que gosta de ti, que cuida de ti. Admite que és humana e que erras.
Egoísta.
Complicada.
"És um teste à minha paciência."
A frase ecoa nos teus ouvidos pela noite dentro. Nunca te sentiste tão abandonada.
Tens vontade de correr atrás dele. De o insultar. Dizer-lhe "basta", que não impões a tua presença a ninguém, muito menos a ele, que não queres ser um peso para ele.
"Magoas-me, mas olhas para mim com esses olhos e pego em ti ao colo mais uma vez."
Pensas em desistir.
"Sê normal, cresce!". Tens sido anormal, não humana. Não cresces. Estás parada no tempo, a aguardar o intervalo.
Pensas em desistir outra vez. De quê, não sabes.
Já foste feliz. Mas também já chegaste a casa, e pensaste em cometer uma loucura. Em virar o mundo do avesso, o teu mundo.
Já foste infeliz, Mas os teus olhos já brilharam, e o teu coração bateu mais forte quando o abraçaste naquela tarde de inverno, e ele disse que gostava de ti.
Sim, sou eu. Sou eu a precisar de ti.
Tenho vontade de te pedir que desistas. Estou a sentir-me a mais,
Chamas de "neurose" aquilo que eu chamo de dor.
Contei-te os meus segredos, e tu, em troca, apelidaste-os de "neuroses".
Lamento que não entendas.
Arrependo-me de te ter contado a minha vida, de te ter entregue a minha vida.
Quiseste insultar os meus fantasmas, mas brincaste com o fogo e eu é que me queimei, Quiseste espantar os meus demónios e lutar comigo para que vivesse.
Não pegues em mim de novo.
Um dia dei por mim a pedir-te para não desistires de mim. Mas foram demasiadas as palavras entretanto.
Pediste-me para ter cuidado com as palavras.
Terei.
Pediste-me para ser normal.
Não sabes como me magoaste. Senti-me presa numa cela de um manicómio. Mas afinal, até dizem que o mundo precisa de loucos, Loucos uns pelos outros.
Também sei ser distante. Também aprendi a ser fria com o passado, com a "neurose" como lhe chamas.
Não repitas.
Basta dizeres, e tudo isto desaparece.
"És um teste à minha paciência". A frase de novo. Não sabes como dói.
Não temas.
Voltará a ser tudo como se nada disto tivesse acontecido.
Isto tudo seria verdade, se não fosse o facto de amanhã me abraçares de novo.
Como o mar calmo depois de uma tempestade.
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